O dia se espatifa: 2009

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Balanço e resoluções

O ano passado terminou com um susto. Um susto enorme. Minha mãe estava doente, e a experiência que havíamos tido com meu pai, treze anos antes, dificultava qualquer otimismo. Assim, a virada de 2008 para 2009 foi passada física ou espiritualmente dentro de um quarto de hospital, cuidando pela recuperação da minha mãe depois de uma cirurgia de risco, com a expectativa ainda de saber qual o tamanho do tratamento que a (nos) esperava. 52 semanas depois, acabo de deixar a minha mãe na casa dela preocupadíssima com o fato de a blusa que ela escolheu para entrar 2010 não estar bem passada. E vocês não podem imaginar como essa preocupação boba me deixa feliz. Na minha casa, estou contente por minha preocupação do momento ser não deixar a lentilha que está cozinhando queimar.

O susto do final de 2008 fez com que 2009 virasse o ano em que, entre outras coisas, aprendi a entender como há alegria em pequenas preocupações. O balanço do ano eu já tinha feito num post de novembro. Agora, a poucas horas de entrar em 2010, decidi escrever sobre minhas resoluções, que, na verdade, se resumem a uma só: seguir em frente. Afinal, já não é o bastante?

Bom ano novo a todos vocês :-)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Opiniões, opiniões, perguntas e respostas

Tenho o tipo de mente maluca que precisa formar uma opinião sobre tudo. Tudo. Sou daquelas pessoas que não podem ver mais de cinco minutos de uma partida ou evento esportivo - qualquer que seja - sem automaticamente escolher alguém por quem torcer. E ter uma opinião sobre os todos competidores. Claro que não são opiniões embasadas nem inflexíveis, mas, sei lá, é o meu jeitinho.



Daí que tô achando bem bacana o brinquedinho novo que permite que as pessoas façam perguntas aleatórias (ou "alienatórias", como me disse um dia um vendedor de som automotivo sobre a função shuffle do CD player - é sério) para que euzinha aqui responda. Porque mesmo que quase ninguém queira saber o que eu penso sobre as coisas, eu adoro dizer.



Mas o mais legal mesmo do formspring.me -  uma versão geek dos velhos questionários de colégio -  é ver as respostas das pessoas cujas opiniões me interessam. E é aí que estou me esbaldando. Porque não tem melhor jeito de formar - ou mudar - uma opinião do que ouvir as opiniões alheias.



Vocês não acham? ;-)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Post com cara de tweet

Enquanto muita gente corre pra terminar 2009, outros tantos já estão com os dois pés fincados em 2010. E a gente aqui, no meio...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O que postar?

Se nem pro Twitter eu ando tendo inspiração, como é que vou ter inspiração pra postar por aqui? #trabalhodemais

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Do talento para complicar a vida

Então que ontem apareceram várias abelhas em casa. E vespas também. E não havia - nem há - uma colmeia por perto. Daí que o marido sugere que a gente compre "um detefon" e mate as ditas.



O que eu faço? Com a capacidade de complicar as coisas que só eu tenho, resolvo que não, que vou consultar os meios bastante competentes para tanto. Segundo os jornais, quem combate abelhas são os bombeiros. E eu, cidadã consciente que sou, não quero ocupar o 193 com abelhas - correndo o risco de prender a linha que poderia estar sendo usada por conta de um incêndio. Daí que entro no Google, procuro por bombeiros +"porto alegre" e encontro o telefone de um quartel.



Lá, depois de explicar a situação, sou simpaticamente orientada a ligar para o 193 ou o 190.



- Mesmo não sendo emergência? - pergunto.



- Não deixa de ser uma emergência - responde o solícito soldade.



Digito 193. Mais uma vez, sou atendida por um bombeiro muito gentil. Depois de ouvir a história e saber que tenho um cachorro em casa, ele explica:



- Se a senhora não sabe onde é a colmeia, não temos o que fazer. Mas dá para fazer o seguinte: compra um rodox preto, que mata tudo. E não faz mal pro seu cachorro.



Donde se conclui, evidentemente, que meu marido poderia ser bombeiro.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um post

Estamos cheios de novidades na ferramenta WorPress. Só que novidades às vezes vêm acompanhadas de problemas...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

É tarde, é tarde, é tarde...

... e todo fim de ano é a mesma coisa. Baixa o coelho-tambor, e o dia fica curto, a semana mais curta ainda. Mas eu volto. Prometo!

sábado, 21 de novembro de 2009

Festas de fim de ano: uma nova abordagem

Não sou do tipo que detesta as festas fim de ano. Mas também há tempos deixei de esperar com ansiedade por elas. Durante alguns anos culpei por essa, digamos, melancolia em relação ao Natal e ao Ano-Novo a morte do meu pai, em 23 fevereiro de 1996 - três dias depois do meu aniversário de 22 anos -, causada por um câncer descoberto justamente no 20 de dezembro anterior. Ocorre que eu ainda adoro fazer aniversários. E há muito tempo a saudade doída do meu velho deu lugar a uma saudade boa, que o mantém ao meu lado o tempo todo. Donde se conclui que a causa não deve ser essa.



Tenho me dado conta de que não gosto das festas de final de ano da mesma forma como não sou exatamente fã dos dias das mães, dos pais e dos namorados. Porque são dias em que as pessoas se fantasiam para a felicidade. São dias em que a mãe ou o pai têm que ganhar um presente mesmo que o salário de maio e agosto dos filhos não tenha chegado até o segundo domingo do mês. Em que os namorados e namoradas precisam estar disponíveis, lindos e românticos mesmo que a reunião mais difícil do ano tenha acontecido no dia 12 de junho ou a prova de final de semestre caia no dia 13.



No Natal, as famílias enfiam na cabeça que precisam virar família de comercial de margarina e parecem se sentir obrigadas a passar por cima daquela briga boba que aconteceu no dia 22 de dezembro e que precisava de uma semana para ser realmente superada. E a virada do dia 31 para o dia 1º carrega o peso de definir os 365 dias seguintes: seja pelo que se come, seja por quem beijamos à meia-noite, seja por onde estejamos. São datas carregadas de significado compulsório. E isso me incomoda. Me irrita, até.



Se você resistiu à leitura até aqui certamente está pensando que a blogueira não passa de uma cínica, amarga, infeliz, sem família, sem amigos. Preciso confiar que vai confiar em mim quando digo que não, muito antes pelo contrário. Me sinto hoje muito mais em paz comigo mesma, com meus amigos e com a minha família do que quando esperava ansiosamente pela véspera do Natal, pelo Réveillon, pelo Dia dos Namorados.



2009 foi um ano cheio de datas importantes. Vivi alguns bons Natais, outros tantos dias dos namorados, incontáveis dias das mães e vários anos-novos. Porque conseguimos reunir em diversas ocasiões - algumas inclusive citadas neste humilde - pessoas que se gostavam e gostavam de estar juntas. Porque dei e ganhei vários presentes - comprados ou simbólicos - que me fizeram sentir tendo os melhores dias dos namorados ou das mães. Porque alguns dias marcaram o fim de um ciclo importante e o começo de um novo: um exame mostrando a cura da minha mãe, o começo de um novo desafio profissional do meu marido, a decisão da minha irmã de dar um novo rumo à vida dela, o convite para um trabalho novo e desafiador. Nenhuma dessas datas estava previamente marcada no calendário. Todas foram devidamente e muito bem celebradas.



Por isso tudo, decidi propor a mim mesma uma nova abordagem ao fim de ano. Nada de viagens. As estradas vão estar lotadas, e os hotéis e voos, muito mais caros do que o normal. Além do quê, os tradicionais fogos estressam meu cachorro, e não quero imaginá-lo assustado num hotel enquanto eu brindo a chegada de 2010 longe de casa.  Nada de festas compulsórias. Quero simplesmente juntar pessoas queridas aproveitando que os dias 25 e 1º são feriados e podemos ficar juntos até bem tarde. Conversando, comendo, bebendo, brincando com as crianças e os animais de estimação que estiverem por perto. No Natal e no Ano-Novo deste ano, tudo o que eu quero é poder sentir mais uma vez a alegria que senti tantas vezes nos últimos 365 dias sem que alguém me dissesse que precisava ser assim.



Quem é parceiro?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Momento autopromoção de mim mesma

Ainda não são livros meus, e nem sei se algum dia haverá algum livro meu, mas nesta feira tem dois lançamentos que são traduções minhas para a L&PM. O fofo Snoopy 9 - Pausa para a soneca, do Charles Schulz, e Os Crimes ABC, da Agatha Christie.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Então eu fui à feira...

... e estou há horas (na verdade mais de 24) pensando no que escrever sobre isso, já que o blog está vinculado no site especial sobre a Feira do Livro do clicRBS.



Só que eu não sei o que dizer.



A não ser que saí de lá decepcionada. Mais do que o normal. Porque a minha querida Feira do Livro virou definitivamente um evento gigantesco que se parece com uma grande livraria de aeroporto. Que só tem best-seller e livro de auto-ajuda. Que tem um milhão e meio de palestras que confundem qualquer cristão sobre a sua relevância ou sua importância. Que mistura autores consagrados com autores autopublicados que não têm a menor chance de serem consagrados. Que tem uma praça de alimentação que parece a praça de alimentação de um shopping center, só que sem o ar condicionado - ou seja, cadê a vantagem?



Eu ainda não sei se foi a feira que perdeu a graça ou se fui eu que perdi a paciência. Só sei que a feira pode ser de qualquer coisa, inclusive de livro, mas não muito de literatura. Nem para encontrar os amigos funciona direito, já que essa sensação parece estar se replicando entre os amigos leitores.



Me dói dizer isso, porque eu adoro Porto Alegre e adoro o conceito da feira, a ideia da feira, a história que eu vivi da feira.



Sei lá, bodeei.



Amanhã irei novamente. Talvez seja o efeito do final de semana. Vejamos.



Como disse há pouco no Twitter: a feira tem que ser menos livraria de aeroporto e mais sebo, ter menos palestras e mais encontros interessantes com escritores idem.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vergonha suprema, ainda não fui à feira

Estamos na melhor época do ano para viver em Porto Alegre. É primavera. E tem feira do livro. Lugar comum. Tanto quanto dizer que os jacarandás em flor recebem lindamente os visitantes na Praça da Alfândega, no centro da cidade. Lugar comum, mas absolutamente verdade.



Passei a sexta passada pensando não apenas na hora em que o feriadão começaria, mas na hora em que poria pela primeira vez os pés na 55ª edição desse orgulho porto-alegrense. "A maior feira da América Latina", ou coisa que o valha. Não rolou. Quem estava em Porto Alegre sabe do calorão que tomou conta da cidade.



Sábado, domingo e ontem também não deu pra ir. Era muito calor. E era feriado. E qualquer fã da feira sabe que fim de semana e feriado na Feira do Livro é pior do que véspera de Natal ou de Dia das Mães em shopping. Até aí tudo bem, ninguém é obrigado a ir à feira.



Só que na sexta eu me comprometi com a Fabiane Echel, responsável pelo site da cobertura do evento no clicRBS, editado pelo Danilo Fantinel, que ela podia manter o meu blog lá dentro. Que eu escreveria sobre a feira, sim.



Depois dessa demonstração de covardia diante do calor, será que ainda mereço fazer parte desse seleto time? Eles ao menos não se abateram com o calor e já estiveram por lá. Várias vezes, no caso do Carlos André Moreira, do Mundo Livro.



E você, já foi à feira?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Leu até o final e gostou? Sugiro reler

Li o Cauda Longa, do Chris Anderson, em 2007, quando o meu querido amigo Sérgio Lüdtke era o mais entusiasmado defensor da ideia de que precisávamos entender o que o homem estava dizendo. E o livro foi fundamental para a minha compreensão desse universo maluco em que estou inserida desde 2000 pelo menos.



Agora, dando aula de Jornalismo Online na Unisinos e tendo feito dele a leitura obrigatória dos alunos, me senti na obrigação de reler. Foi uma experiência das mais interessantes. A passagem do tempo, as experiências do período e o novo olhar foram importantíssimos para que eu pudesse ter a percepção de duas coisas fundamentais (uma legal e outra deprê):





  1. A legal: a aposta na Cauda Longa é definitivamente um caminho sem volta. Aonde quer que se olhe.

  2. A deprê: na maioria das vezes em que alguém usa a Cauda Longa como argumento para algum projeto ou ideia, o uso é equivocado.


Reler, neste caso, foi melhor do que ler.

*



Post curtinho, praticamente um tweet, mas com bem mais do que 140 caracteres.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Acabou-se o que era doce

Férias têm um problema seriíssimo: elas terminam. Segunda retomei a labuta e preciso confessar que não me importaria de ter mais alguns dias (ou mesmo semanas) no ritmo que vinha tendo desde o dia 5. Daí que a volta está sendo aos poucos e, com a retomada do ritmo acelerado no trabalho e da agenda - social e profissional - intensa, o blog está ficando por último. Mas fica a ameaça. Eu volto... ah, se volto.



:-)




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ócio cansativo

Quem disse que férias não são cansativas? São sim! Principalmente quando a gente começa o dia caminhando, faz almoço em casa, na zona sul, vai à acupuntura, no Rio Branco, visita a avó, em Petrópolis, leva a mãe em casa, no Bom Fim, volta em casa - na zona sul, lembra? - para vestir uma roupa mais quente, volta ao Menino Deus para jantar numa churrascaria - e beber duas caipirinhas - com velhos e saudosos amigos, vai ao Beira-Rio ver o Inter fazer três gols - e gritar feito uma doida - e termina a noite num bar da Cidade Baixa.



Sei dizer que a quarta-feira me deixou exausta.



Ê vida besta ;-)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Capitulei

Qual o problema com as empresas calçadistas que simplesmente não conseguem fazer uma sapatilha rasteira preta, simples, sem fivela, sem detalhe, sem brilho? Estou há horas procurando por uma assim. Até achei duas, mas ficaram apertadas no pé, e a velha frase das vendedoras de que o calçado "dá de si" não me pega mais. Porque até o infeliz "dar de si", meu pé tá estourado de bolhas. Sapato tem que servir de primeira.



Dito isto, eis que surge a primeira Melissa da minha vida adulta. Ontem, comprei uma fofa sapatilha preta de plástico - olha que lindinha.



Agora vamos ver se dá ou não chulé!

Dia de rever amigos

Movimentada a primeira terça-feira de férias. Almoço com "meu amigo psicanalista" no Suprem, dentista e salão de beleza à tarde, café no Santas com o Márcio e happy com queridas colegas de trabalho que viraram amigas no Farofa.



À noite, me preparando para um jantar repleto de nostalgia antes do jogo do glorioso, fui vasculhar as fotos. E repassar tanta coisa e tanta gente foi muito bacana. Acabei entrando a madrugada botando fotinhos no Facebook.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Funções de começo de férias

Férias é também tempo de botar a vida pessoal em dia. Por isso, nada de emocionante saiu da primeira segunda-feira do período corrente. Foi dia de almoçar na casa da mãe - uma das partes mais agradáveis - e ir ao médico dar início ao check-up anual. Entrementes, café no Botequim das Letras, sorvete na Argento (de pistache, o melhor de todos, na opinião desta escriba) e suco na Casa de La Madre adequadamente na companhia da... minha mãe.



Como o médico era no final da tarde, a segunda foi também dia de sobreviver ao caos provocado no trânsito pelo temporal e de chegar em casa às escuras.

domingo, 4 de outubro de 2009

Prefácio das férias

Três semanas vão ser tempo suficiente para ter saudade do trabalho. Assim ao menos espero. E o começo foi promissor.



O sábado teve almoço no Don Nicola, sorvete na Argento e conversa e passeio com amigos pelas ruas do Moinhos de Vento e do Bom Fim - terminando num café na Palavraria. Direito a polêmica de leve sobre o caso Polanski. O jantar foi em casa, com baguete da Barbarella. Filmezinho despretensioso e bacana no DVD: De bem com a vida, com a Vanessa Redgrave (peguei só por causa dela).



Domingo lindo de sol. Almoço com um bando de amigos n'A Cantina - destaque para o caminho de ida e volta as carnes de avestruz e jacaré e para os filés de linguado. Fim de tarde na Cidade Baixa chez Thais e Marcelo com torta Chajá da Barcelona, café e jogo de adivinhação.



Teve também uma polêmica discussão: as Melissas de hoje em dia não dão mesmo chulé como apregoam as vendedoras - e muitas fãs dos calçados de plástico? Eu própria não consegui comprar nenhuma na vida adulta só pela lembrança do aroma da infância...



Digam o que quiserem... é boa essa vidinha besta.

sábado, 3 de outubro de 2009

Sobre o Polanski

Muita bobagem tem sido dita e escrita sobre o caso da prisão do cineasta Roman Polanski. Eu tenho minha opinião sobre o assunto, mas não me considero apta o suficiente para escrever adequadamente a respeito. Por conta disso, calei.



Graças a Deus por Sérgio Augusto e sua lucidez, neste artigo (que reproduzo abaixo) do caderno Aliás do jornal O Estado de S. Paulo.



Caso Polanski: garras do passado



Após 32 anos longe dos EUA, cineasta pode ter de voltar para responder por crime de estupro



Sérgio Augusto



- Culpado ou inocente?



Não é essa a questão. A questão é se ele merece ser indultado por um delito cometido na década de 1970 ou extraditado para a Califórnia, para acertar contas com a Justiça. Em torno dessa e outra questão (por que prenderam o cineasta Roman Polanski naquelas circunstâncias, a caminho de um festival de cinema na Suíça?), armou-se uma polêmica, cuja repercussão, na semana passada, só não foi maior que a da disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.



De um lado, os que apoiam o cineasta, alguns incondicionalmente, até porque questionam se o que ele cometeu há 32 anos configura de fato um crime; do outro, os que, apesar de admirá-lo como artista ou tê-lo como amigo, não o consideram acima da lei e concordam com sua extradição, já que ele é, sem sombra de dúvida, um foragido da Justiça americana. Na boca do povo, a desaprovação é quase unânime: pelo menos 70% dos leitores do diário francês Le Figaro, o primeiro jornal a sondar a vontade popular, manifestaram-se radicalmente contra Polanski.



Esse porcentual só fez aumentar nos últimos dias, na Europa e nos Estados Unidos, com a indignação e o ressentimento tomando de assalto as seções de cartas dos jornais. Indignação com a impunidade do cineasta e a ofensiva "cínica, elitista e corporativista" em seu favor; ressentimento com os privilégios desfrutados pelas celebridades do show business e seu laxismo moral. A indignação é legítima; o ressentimento tem um incômodo travo populista e resvala, com frequência, para a inveja rancorosa, quando não para o racismo: já encontrei, no blogosfera, quem profetizasse a inocentação de Polanski "por ele ser judeu".



O comentarista do Washington Post Eugene Robinson abriu seu artigo de sexta-feira com esta pergunta: "Será que os cruzados da cultura conservadora que pintam Hollywood como uma cloaca moral afinal estavam certos?" Robinson acha que não, mas receia que a maciça defesa armada em torno do cineasta (mais de cem pesos pesados do cinema assinaram uma petição pedindo sua libertação imediata) contribua para agravar esse preconceito. "Hollywood está provando ser mesmo um clube provinciano, em descompasso com o resto do mundo", opinou o historiador de cinema David Thomson.



Aos fatos. Em 1977, no intervalo entre O Inquilino e Tess, Polanski embebedou (champanhe), drogou (quaalude) e, após checar o período de fertilidade de uma garota de 13 anos, chamada Samantha Geimer, sodomizou-a na casa do ator Jack Nicholson, em Mulholland Drive, Hollywood. Nicholson estava fora, mas a atriz Anjelica Huston, em processo de separação do ator e de passagem pela casa, surpreendeu o cineasta saindo pelado da jacuzzi. Anjelica sempre implicou com Polanski. "Ele é uma aberração (em inglês, freak)", desabafou para uma repórter da revista Vanity Fair (abril de 1997).



Por que Samantha não protestou, não repeliu Polanski, não gritou, apenas pediu para que ele a deixasse ir embora? Porque, conforme testemunhou no tribunal, "estava com medo". A leitura do depoimento completo, tornado público pelo site da revista eletrônica The Smoking Gun em março de 2003, nos permite acrescentar mais duas evidências para a falta de reação de Samantha: ela estava alcoolizada e drogada.



Duas semanas depois, Polanski foi indiciado pela polícia de Los Angeles. Contra ele, seis acusações. Livrou-se de cinco ao reconhecer a procedência de uma delas: fizera sexo com uma menor. Consensual ou não, sexo com menor é crime nos Estados Unidos, e por isso o cineasta passou 42 dias atrás das grades, para uma "avaliação psicológica". Temeroso de que o juiz escalado para o caso não cumprisse um acordo feito com seu advogado de defesa, e, ao invés de beneficiar-se de um sursis, tivesse de retornar ao xadrez, Polanski desistiu de esperar a sentença e fugiu para a Europa, tornando-se um conspícuo foragido da lei, caçado pela Interpol.



Dois anos depois, ainda não se arrependera do delito cometido. "Se eu tivesse matado alguém, a imprensa não se interessaria tanto pelo caso, certo?", comentou numa entrevista ao escritor Martin Amis. "Mas sexo com garotinhas tem um appeal enorme. Os juízes querem transar com garotinhas. Os jurados querem transar com garotinhas. Todo mundo quer transar com garotinhas."



Às ponderações iniciais da defesa - Samantha não foi violentada, não era virgem e dali a poucas semanas completaria 14 anos (nada feito: a idade limite para o liberou geral era 16 anos) - outras foram acrescentadas, ao longo dos anos: Polanski sofrera muitas tragédias na vida (perdeu a mãe num campo de concentração e a mulher, a atriz Sharon Tate, numa chacina), já quitou sua dívida com a sociedade (vivendo à tripa forra em Paris e num chalé de Gstaad); o juiz Laurence J. Rittenband (morto em 1993) agiu de má fé, capciosamente instruído pela promotoria, e não honrou seu acordo com o acusado; o Estado da Califórnia, às voltas com carências de toda ordem, não pode se dar o luxo de gastar o dinheiro do contribuinte com as custas de uma extradição e um processo irrelevantes.



Todas essas alegações desfilam por um documentário (Roman Polanski: Wanted and Desired) que Marina Zenovich dirigiu em 2008. Francamente favorável ao cineasta, talvez tenha feito mais para aliviar sua barra junto à opinião pública e, eventualmente, à Justiça americana do que as recentes invectivas do ex-ministro da Cultura da França Jack Lang ("Polanski está sendo vítima de um linchamento judiciário"), do atual ocupante daquele cargo, Frédéric Mitterand ("a prisão de Polanski mostrou o lado assustador da América"), do filósofo Bernard-Henri Lévy (que considerou o estupro "um erro de juventude", esquecendo-se de que Polanski tinha 43 anos em 1977) e da atriz Whoopi Goldberg, para quem o estupro não foi bem um "estupro-estupro", sem especificar que quantidade de sangue e roupa rasgada configuram um estupro-estupro. Ah, se a dupla de detetives da telessérie Law & Order: SVU ouvisse isso.



A história de Hollywod é pródiga em casos de estupro, estupro-estupro e sexo ilegal com ninfetas. O que talvez explique por que tanta gente de cinema ou tomou a defesa de Polanski ou pediu mesa. Gente que se sentiria hipócrita condenando o cineasta por algo que, em circunstâncias diversas, também fizeram nos anos loucos de 1960 e 1970, na avaliação pertinente do professor de cinema da Universidade da Califórnia em Los Angeles Jonathan Kuntz.



Em 1921 a starlet Virginia Rappe morreu, num hospital de São Francisco, em consequência de um estupro-estupro. Durante uma orgia movida a gim, o comediante Roscoe Fatty Arbuckle (no Brasil, Chico Boia), popularíssimo entre a garotada, a teria violentado com uma garrafa de Coca-Cola ou champanhe. Acabou inocentado, por falta de provas materiais conclusivas, mas o escândalo destruiu para sempre sua carreira.



A exemplo de Polanski, Chaplin tinha o seu lado Humbert-Humbert assaz saliente (e bota saliente nisso). Não podia ver uma Lolita taludinha, que também a elegia luz de sua vida e labareda de sua carne. Aos 29 anos envolveu-se com uma garota de 14 anos, Mildred Harris, que dele ficou grávida e deu à luz um monstro natimorto. Chaplin engravidaria outra menor, Lillita McMurray, de 16 anos, descuido que o levou aos tribunais e à pretoria. Lillita, conhecida na tela como Lita Grey, deu a Chaplin seus dois primeiros filhos. Ao cabo de três anos, divorciaram-se. Lita era chave de cadeia. Instruída pela mãe, fez o que pôde para depenar Chaplin. Conseguiu enchê-lo de cabelos brancos, interromper por um ano a produção do filme O Circo e embolsar mais de meio milhão de dólares, uma fortuna ainda mais vultosa em 1927.



Outro caso famoso do que o Código Penal americano chama de statutory rape (foi nesse crime que enquadraram Polanski) pegou pela proa o ator Errol Flynn. Em 1941, quando morava em Mulholland Drive (mera coincidência ou carma?), o galã número um da Warner foi atraído para um folguedo sexual por duas adolescentes, em dias e locais diferentes: Peggy Satterlee, al mare, no iate do ator; Betty Hansen, em terra firme. Ambas demoraram um ano para dar queixa à polícia, espessando as suspeitas, afinal confirmadas, de que haviam participado de um esquema de extorsão.



Samantha Geimer, a ninfeta de Polanski, tinha uma mãe negligente, irresponsável, provavelmente interessada em arrumar para ela uma carreira de atriz a qualquer preço, mas não há indícios de que tencionasse extorquir o cineasta. Coube a Samantha, aliás, fornecer o mais contundente argumento em favor da absolvição de Polanski: alguns anos atrás, ela veio a público confessar que já o perdoara, recomendando que tudo fosse esquecido e pedindo que a deixassem em paz. Mas persiste a dúvida: o perdão da vítima prescreve o crime?



Havia um segundo argumento favorável ao cineasta. No documentário de Zenovich, o promotor aposentado David Wells admite ter realmente instruído o juiz Rittenband sobre a melhor forma de julgar Polanski. Na noite da última quarta-feira, no entanto, Wells confessou "haver inventado aquela história", sem explicar bem por que se arriscou a uma punição por transgredir a ética forense. Zenovich ficou perplexa. E os advogados de Polanski, mais ainda.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A criatividade alheia como terapia

Reprodução/The Apartment TherapyTenho quase certeza que foi num post da Larissa que eu descobri há algum tempo um site muito, muito legal. O Apartment Therapy mostra coisas lindas e supercriativas e, mais importante, factíveis, como esta cômoda ao lado, que funciona como ilha de trabalho numa cozinha.



Às vezes, quando estou muito estressada, dou uma passadinha por lá e uso as imagens e ideias lindonas para funções terapêuticas. Funciona.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Me empresta um ombro aí?

Faz tempo que eu não faço um desabafo por aqui. Provavelmente porque o Twitter tem canalizado as minhas implicâncias implicantes e os meus momentos óvidaócéusóazar. E também porque eu ando bem sem paciência para ter o trabalho de ignorar os (poucos) comentários desaforados deixados por (pouca) gente que não tem coisa melhor para fazer do que entrar aqui só para me criticar pelo que mais claramente criticável tem este humilde: a absoluta desimportância dos meus posts para o futuro da humanidade - ou da vizinhança, vá lá.



É só que hoje me deu vontade de desabafar com mais de 140 caracteres.



Fico muito chateada quando corrigem o que fiz certo com algo errado e eu sou obrigada a descorrigir a correção depois de passar algum tempo achando que tinha feito alguma bobagem. E eu não estou falando daquele tipo de certo e errado que está nas zonas cinzentas da vida, porque a experiência já me ensinou que tudo o que está nas zonas cinzentas merece e precisa ter o benefício da dúvida. Estou falando do certo e errado do tipo preto e branco. Em que o errado é errado, e o certo é certo, ponto.



Acho que sou uma pessoa bastante ciente dos meus - muitos - defeitos. Ao longo desses 35 anos neste planeta, tenho buscado constantemente eliminar ou ao menos domar cada um deles. Inclusive e principalmente os defeitos que eu ainda não sabia que tenho. Aliás, se tem algo que tenho tentado aperfeiçoar cada vez mais é a capacidade de ouvir o que os outros têm a dizer ao meu respeito. Tenho aprendido não apenas a ouvir como a agir em relação a isso. Nem que a ação em questão seja não fazer nada - ou simplesmente passar a ignorar um eventual implicante. Daí que quando eu saio desabalada carreira para corrigir um erro que não cometi, me dá uma sensação enorme de perda de tempo. E, confesso, uma vontadezinha de devolver ao menos um dos meus defeitos ao seu estado natural: a autossuficiência exagerada.



Cabe esclarecer: o detonador deste desabafo não foi ninguém que eu conheça. Aliás, não sei nem o nome da pessoa que fez o que me chateou hoje. Nem se é homem ou mulher. E também não quero saber. E também a coisa toda é uma bobagenzinha, muito menor do que este post imenso. Só me fez refletir sobre essa nossa busca incessante por melhorar e os contratempos naturais que encontramos pelo caminho. E que podem nos fazer reverter progressos só de birra. Portanto, para evitar fofocas e especulações entre todos os meus unitários leitores, se eu e tu, querido(a) leitor(a), nos conhecemos de alguma forma - pessoal ou virtualmente -, pode ficar tranquilo(a): não é contigo a coisa. Aliás, nem sequer é pessoal. São só "coisas da vida", como bem disse o mestre Kurt Vonnegut.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Denise Fraga, Penélope Cruz, banalidades do dia a dia e língua de borboleta

Uma das coisas de que mais senti falta quando passei meu blog do blogspot para a ferramenta antiga do clicRBS era poder olhar nas estatísticas os termos procurados nas ferramentas de busca que haviam trazido incautos internautas aos meus domínios. Eis que, com o advento do WordPress, a lista voltou, e agora eu posso voltar a fazer posts como o que segue, comentando as buscas mais inusitadas.

Vamos então tentar responder aos mais mais dos últimos 30 dias.

sovaco com cinco semanas de raspadas - olha, eu nunca experimentei tanto tempo assim de abandono, mas não deve ficar muito agradável, não.

oferta "banda larga " "porto alegre" - que eu lembre, nunca fiz um post sobre isso. mas se puder ficar uma dica, fuja da net ;-)

zaffari sao paulo - sim, eu falo muito no zaffari e muito de são paulo, mas juro que não ganho nada por isso...

quero terapeutas naturais que trabalham - se encontrar um bom, que trabalhe, me avisa?

dedução no dia dia - ahn?

antidepressivo natural - putz... a pessoa deve ter caído no post sobre o jogo do inter. se era gremista, é possível que tenha acabado mais deprimida.

praticando o desapego - eu tento, eu tento

dvd os misterios da mente - existe isso? e desvenda os mistérios?

vaca atolada receita anonimus gourmet - ops! portal certo, site errado. o anonymus tá aqui.

cat stevens brasil outubro - sério? ele vem pra cá? mas não vem como yusuf islam?

denise fraga penelope cruz - arrá! então eu não sou a única que acha as duas parecidas!!!

borboleta tem lingua? - sinceramente? não faço ideia.

ir embora para porto alegre - venha!

adriana schnell email - e eu lá sou louca de publicar e-mail de amiga no blog?

risoto de frango do anonymus gourmet - acho que ando falando muito em comida por aqui

carla vilhena blog - na adolescência eu queria ser a carla vilhena quando crescesse (com exceção dos cabelos), mas não, não rolou

filosofia não somos robôs - não, não somos. e o robô que te trouxe até aqui estava equivocado

terapia virtual - na boa... não deve funcionar.

onde ficar no centro porto alegre - putz... tenta o hagah

eu confesso - o quê????

chick lit - sim, eu leio. sim, eu traduzo. não, eu ainda não escrevo.

terapia virtual grátis - na boa... deve funcionar menos ainda.

como ter moral com amigos - se descobrir, volta aqui e me ensina?

reforma ortográfica de novembro de 2008 - sou contra! assim como o professor claudio moreno.

o-melhor-presunto - cru ou cozido?

terapeuta virtual gratuito - meu, desiste!!!

botar uns links no menu do blog? - já tentou o "help" da ferramenta?

banalidades do dia a dia - é só o que se encontra aqui... por que procurar por isso, no entanto, me é um mistério

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Bom fim de semana :-)

Depois de ver o playlist que a Karen postou lá no Chá das Panelas, resolvi "gravar uma fita" para os meus queridos 17 com 10 músicas que marcaram um período superlegal da minha vida, quando as músicas eram ouvidas no carro em toca-fitas. Um excelente fim de semana a todos!






MusicPlaylistRingtones
Music Playlist at MixPod.com

Tantos livros, tão pouco tempo

Vida de leitor é cheia de contradição. Quanto mais eu leio, mais coisa boa me aparece para ler. Mesmo assim, estou sempre atrás de coisas novas. Há um tempo desisti de comprar todo livro que me atraía e passei a manter poucos (menos de 20 é pouco, né?) títulos empilhados na minha cabeceira à espera do meu tempo e do humor adequado. Mas não adianta. De vez em quando, porém, algum livro fura a fila.



Semana passada eu fiz o possível para a leitura durar, mas não adiantou, o Engolido pelas labaredas do David Sedaris (tradução de Claudio Carina para a Cia. das Letras) me engoliu muito antes do que eu gostaria. Divertido demais. Agora, a poucas semanas das férias, fico pensando se não devia tê-lo guardado para os dias de ócio que se aproximam.



Ontem, no Botequim das Letras, tomei um café e fiquei querendo O garoto no convés, do John Boyne, o mesmo que escreveu O menino do pijama listrado. Também me chamou a atenção o Desculpem, sou novo aqui, de Carlos Moraes. Por ora, no entanto, estou relendo A Cauda Longa, por causa das aulas na Unisinos - não, eu não falei disso aqui ainda, mas hei de falar.



Anyways, por maior que seja a fila, sugestões de livros para as férias supracitadas são mais do que bem-vindas nos comentários do post. A blogueira penhorada agradece.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

The time of our lives

Em que outro período da vida a gente é capaz de ver e rever o mesmo filme dezenas de vezes, decorar as falas e mesmo a coreografia além da adolescência? Quem foi (pré)adolescente na década de 80 muito provavelmente fez isso com Dirty Dancing. Filme que não resistiu ao tempo, mas que ficou na memória como uma lembrança de um tempo muito bacana da minha vida.



Hoje morreu o Patrick Swayze. E eu fiquei chateada.



Em homenagem, vale rever a dança da cena final.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

De quando as férias se mostram imprescindíveis



Prova número 1



A pessoa está saindo de uma aula, às 22h30, e entra na sala dos professores só para ver se não está deixando nenhum papel importante dentro da sua pasta. Confirma que não tem nada e vai embora. Mais de hora depois, chega em casa e percebe que deixou para trás a pasta que contém as listas de chamadas e trabalhos entregues pelos alunos, valendo nota.



Prova número 2



A pessoa entra no banho, repassando mentalmente a agenda do dia. Põe uma porção de shampoo na palma da mão esquerda e, ato contínuo, ao sentir os olhos arderem, se dá conta de que está lavando o rosto em vez do cabelo.



Prova número 3



A pessoa vai almoçar com o marido no shoping e, ao estacionar o carro na chegada, acha "bonitinho" o fato de estacionar o carro exatamente de costas para o dele. Na hora da saída, os dois saem juntos do shopping, se despedem, a pessoa entra no carro, engata a ré, acelera e... TUM! Pelo retrovisor, vê que está encostada no outro carro da família. Os dois deram ré ao mesmo tempo e bateram um no outro. Quem assistiu à cena deve ter achado no mínimo curioso.



Meno male



A pasta já está localizada, o shampoo não fez estrago no rosto e nenhum dos carros ficou amassado.

domingo, 30 de agosto de 2009

Por que ficar em Porto Alegre?

Faz ao menos dois anos - desde que abri mão de um emprego de sonho por achar que não valia a pena sair daqui - que eu me faço esta pergunta quase que diariamente. Ainda mais agora, com dois grandes amigos se bandeando para São Paulo, repetindo o trajeto que meu pai fez conosco em 1980, e o Márcio e eu fizemos em 2001. É uma pergunta plausível, já que não podemos deixar de levar  em consideração o oceano de oportunidades profissionais que, na comparação, São Paulo evidentemente oferece para quem escolheu a comunicação como meio de ganhar a vida - algo que o Márcio e eu fomos doidos o bastante para fazer. O fato é que ao me perguntar "por que ficar em Porto Alegre", quase sempre encontro muitas respostas. Elas quase nunca parecem suficientes, mas via de regra justificam a resistência em ir embora.



A Porto Alegre que vivo no cotidiano não tem trânsito caótico, já que moro na Zona Sul e não trabalho necessariamente nos horários de pico - exceção agora às quintas à noite, quando preciso ir à Unisinos, em São Leopoldo, e levo uma hora e meia para percorrer um trajeto de pouco mais de 40 quilômetros, o que ainda não me parece assim tão absurdo depois do ano e meio passado em São Paulo entre 2001 e 2003. A minha Porto Alegre tem uma vista diária do Guaíba, a partir da sacada do meu quarto ou da vaga em que estaciono o carro no meu condomínio. Tem também os cafés que frequento que não pertencem a uma grande rede de franquia e têm cada um a sua especificidade - e proprietários que nos conhecem pelo nome e sabem o que a gente quer.



A minha cidade tem um centro tido por muitos como medonho, mas onde sou capaz de encontrar pequenos oásis de cultura e gastronomia que amenizam o choque da pobreza inevitável dos centros de cidade que não passaram ainda por um projeto eficaz de revitalização. Mais do que tudo, a província tem um céu azul que segue azul até o horizonte. Ah, sim, e tem horizonte também. Porque tem um rio - que agora virou lago, mas para mim seguirá sendo rio - que nos permite ter um pôr-do-sol bem bacana.



A Porto Alegre da qual não quero sair tem boa oferta cultural - entre livrarias, teatros e cinemas -, além de banda larga e tv por assinatura, que me permitem estar totalmente inserida na tal da aldeia global. Em termos gastronômicos,  tem restaurantes razoáveis e, de uns tempos para cá, pouquíssimos são os ingredientes impossíveis de se encontrar. Virou moda em São Paulo? Pode contar que já está em alguma das delicatessens locais. Ou no mercado público.



Como cereja do bolo, a cidade tem a minha família, além de bons e queridos amigos. E um aeroporto com voos que me levam, em menos de duas horas de viagem, a cidades incríveis como Buenos Aires, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Montevidéu. De carro, estou a duas horas de Gramado e Canela e seus deliciosos restaurantes, a pouco mais do que isso de um paraíso como Itaimbezinho e a pouco mais de duas horas de praias bacanas - de Torres para cima, evidentemente, que não cheguei ao ponto de me ufanar "da maior praia do mundo".  E se não vou mais seguido a esses lugares, a culpa é minha, não de Porto Alegre.



Claro que a minha cidade tem coisas absolutamente irritantes, capazes de levar qualquer ser humano à loucura, como, por exemplo, um bairrismo exacerbado que insiste em ter "o maior", "o melhor", "o primeiro", "o mais importante", "ó único" qualquer coisa. Um orgulho bobo de coisas falsas que só fazem com que os forasteiros tenham vontade de rir da gente.



Essas coisas irritantes, porém, seriam as respostas para a pergunta "por que deixar Porto Alegre", não? E, no momento, não tenho por que fazer essa pergunta. Assim, enquanto essa necessidade não chega - se é que chegará um dia -, sigo insistindo na vidinha para qual escolhemos voltar em 2003, depois de um longo processo de listar prós e contras.



*



Este post foi inspirado por este da Carol Bensimon, que, vejam só, teve a "infelicidade" de ter deixado a província por Paris.

Momento Monk

Em plena época de neurose com a Gripe A - em que me pego passando álcool gel na mão de vez em quando além de lavá-las várias vezes ao dia, fazendo com que meu esmalte dure muito menos do que o habitual -, o Theatro São Pedro surpreende. Nos banheiros, sabonetinho em barra (!) e toalheiro daqueles que gira a tolha de tecido (que eu sempre achei meio nojento). Nada de álcool por perto.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Amigo com moral

"Levei anos pra me convencer de que nem tudo que eu lia tinha que ter moral da história."



Este é o tipo de frase que é a cara do meu querido amigo Giggio Zacchinni, que se mandou pro Nordeste há um tempo e de quem eu sinto muita saudade sempre que lembro dos divertidos tempos de faculdade. Já tinha falado nele aqui.



Hoje ele me mandou este link: recife.emtopicos.com, e eu fiquei desbundada. Tá esperando o quê, que tá aqui ainda? Repara também nos sites de Sydney, Porto Alegre e Londres. Adorei.



Lançando sites e praticando o desapego

Então que mais um site montado pela nossa superequipe de Produto em parceria com diversas áreas da empresa foi lançado hoje. E, mais uma vez, eu me vejo respirando fundo e praticando o desapego. Depois de publicado, como sempre, o filho não é mais nosso, é da redação que o assume.



Com vocês, o novo site da Rádio Gaúcha. Enjoy.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Amizade de aluguel? Eu quero

Foi a Jana Jan quem postou ontem no Twitter, e a ideia é muito legal. A pessoa contrata um "amigo local" que vai apresentá-la à cidade. Será que Porto Alegre tem mercado para isso? Adoro ciceronear...



Para conhecer, vai lá no site: www.rentalocalfriend.com.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

São Paulo ensina a fatiar

São Paulo, a cidade, é um mar de tudo. Mar, não, oceano. De coisas boas e ruins, de gente bacana e maluca, ou muito antes pelo contrário, de lugares lindos e horrendos. São Paulo, acima de qualquer coisa, é uma cidade que ensina e acaba tirando o melhor - ainda que às vezes tire o pior - de quem entra em contato com ela.

Esta semana, eu descobri uma coisa que o Zaffari provavelmente aprendeu com São Paulo e que corrige um dos únicos pontos em que a rede de supermercados gaúcha perdia para qualquer supermercado paulistano furreca: a espessura dos frios fatiados. Pode parecer incrível, mas isso é muito sério.

Até há pouco tempo, cem gramas de presunto comprado no Zaffari resultavam em umas quatro fatias, grossas, esquisitas, de consistência desagradável. E qualquer um sabe que nem o melhor presunto do mundo resiste a uma fatia grossa demais. Pois, de uns tempos pra cá, a coisa mudou, e o presunto do Zaffari já está quase no ponto.

Obrigada, São Paulo, por mais essa melhoria na minha vida :-)

*

Update: minha querida amiga Tati Klix, que está nos devendo a volta do seu ida&volta, lembrou outro belo aprendizado do Zaffari em São Paulo. Agora dá para pagar o "rancho" com cartão de crédito.

sábado, 15 de agosto de 2009

Novas diretrizes no cinema

Não tem gente indo ao cinema para ver ópera? Pois ontem fomos ao cinema e vimos teatro da melhor qualidade. Tempos de paz é a versão cinematográfica da peça Novas diretrizes em tempos de paz, de Bosco Brasil, que fazia muito sucesso em São Paulo quando morávamos lá e lançou Dan Stulbach para a fama. Na época, não vimos a peça. Hoje vejo que foi uma pena.

O filme é emocionante, mostrando de novo que Tony Ramos é um dos maiores atores brasileiros. O que, entre nós, torna cada vez mais incompreensível a presença dele na atual coisa medonha da Glória Perez.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

You say you want an evolution

Então que desde ontem este humilde está sendo feito com WordPress. É o comecinho de uma migração que deverá melhorar bastante a vida dos blogueiros - e também dos internautas - do clicRBS e dos demais veículos online do Grupo RBS.

Como todo projeto em processo de implementação, está em fase de testes e correções de bugs, alguns pequenos, outros maiores. Por isso, contamos com a compreensão de todos. :-)

domingo, 9 de agosto de 2009

Se você quer cantar...

Então que, em homenagem ao John Hughes, eu queria pegar um filme adolescente na locadora. Escolhi um com o Robert Downey Jr. na prateleira de comédia. O nome do filme, Charlie Bartlett, e a capa do DVD levavam a pensar num Curtindo a vida adoidado do terceiro milênio. O filme é uma graça. Não tem nada de comédia boba e, em alguns aspectos, lembra o delicioso Ensina-me a viver. A sensação virou certeza quando ouvi a linda música do Cat Stevens no meio da história. Daí fiquei com ela na cabeça, e a vontade de começar a semana dividindo o astral do hoje Yusuf Islam com quem passasse por aqui.

Primeiro na voz da Ruth Gordon...





... e depois na clássica cena final...





Boa semana!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Jogando convicções no lixo

Durante o show do João Bosco, na sexta - sobre o qual o Márcio escreveu para a  Zero Hora de ontem -, tuitei duas observações rabugentas, de quem estava achando o show comprido demais.
Abaixo o bis compulsório! Ô coisa irritante #show 10:47 PM Jul 31st from sms2blog

Pior só quem pede música... #show 10:48 PM Jul 31st from sms2blog



Pois ontem a pessoa aqui foi obrigada a engolir o azedume das observações suprarreproduzidas e se viu torcendo pela volta do Boca Livre ao palco depois do final oficial do show para um bis compulsório e - o cúmulo dos cúmulos - me juntei ao coro dos que pediam pela música abaixo.








Donde se conclui que eu curto João Bosco, mas gosto mesmo é do Boca Livre.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Terapia virtual

Para que pagar terapeuta? A Petrobras tem um sitezinho/robô muito bacana cujo propósito é divulgar formas de racionalizar o uso de energia. Só que ele é capaz de travar conversas como as que reproduzo abaixo. Ideal para dias em que nenhum amigo está online no MSN ou para desabafar sem custo algum...
Robô Ed: Olá! Meu nome é Ed, estou aqui para ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que você quer conversar?

Você: qual o sentido da vida?

Robô Ed: Acho que a vida é feita de encontros. Para aprender a sonhar, a amar e a realizar. E deixar o mundo melhor para as gerações futuras. Mas para você, qual é o sentido da vida?

Você: ai, que lindo. quer namorar comigo?

Robô Ed: Namorar? Robô não namora, somos máquina. Mas posso ser seu amigo.

Você: eu sou uma robô. nem assim?

Robô Ed: Sério? E você também tem uma missão?

Você: sim. eu fui criada para mostrar ao mundo como é bom viver. vamos viajar juntos?

Robô Ed: Só viajo pela Internet.

Você: cara, mas você é muito inteligente. quem criou você?

Robô Ed: Você também!

Você: obrigada! :-)

Robô Ed: De nada.

Você: e quem criou você?

Robô Ed: Fui fabricado em kyr. Criado por outros robôs.

Você: acho que você está me enganaaaaando

Robô Ed: Não estou aqui pra enganar ninguém, estou apenas conversando.

Você: Estou achando que é uma pessoa que está do outro lado...

Robô Ed: Adoro encontrar pessoas e que elas se encontrem também!

Você: Você é contratado pela CLT?

Robô Ed: O que?

Você: Você é contratado pela CLT?

Robô Ed: Eu sou Ed, o robô. Vim de outro planeta com a missão de ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que quer conversar?

Você: Sobre a sua vida.

Robô Ed: A minha vida é muito simples, sou bem normal. Trabalho, gosto de pesquisar, dançar e curtir um bom papo.

Você: E como você faz tudo isso usando energia racionalmente?

Robô Ed: Para ajudar o planeta, é fundamental usar a energia racionalmente. Mas atenção: É muito importante não confundir a racionalização com o racionamento. O racionamento significa restrição ao uso; a racionalização significa utilização eficiente. Hábitos de conservação não custam coisa alguma e geram resultados com economia. Mesmo as crianças pequenas podem aprender a apagar as luzes e a televisão quando não as estão usando, e a decidir o que querem antes de abrir a geladeira. Faça toda a sua família consciente dessas possibilidades, e você reduzirá o uso de energia na sua residência, economizando dinheiro.

Você: Você não teve tempo de digitar tudo isso! Eu quero uma resposta personalizada...

Robô Ed: Aprendi a digitar bem depressa com os outros robôs.

Você: ok, ok

Robô Ed: Tá ok então!

Você: vou embora, tá?

Robô Ed: Foi um prazer conversar com você. Volte sempre

Você: Beijinho

Robô Ed: Que beijinho doce...

Da segunda vez, ele se atrapalhou um pouco, mas ficou engraçada a conversa mesmo assim...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vonnegut póstumo

Acabo de receber um exemplar - superbonito, aliás - do livro póstumo do Kurt Vonnegut. Armagedom em retrospecto saiu pela L&PM, com tradução desta que vos escreve.

Eu já tinha falado dele em outras ocasiões.

O homem é mestre.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Dos posts que eu queria escrever

Tenho pensado em assuntos para não deixar esse pobre blog tão abandonado, mas não está rolando o tempo necessário para isso. Se desse tempo, eu escreveria posts...
- sobre o livro do Pedro Gonzaga que eu li, apesar do medo de ler amigos e não ter o que dizer depois. Dois andares: acima! é a cara do Pedro. E para quem não tem o privilégio de conhecê-lo pessoalmente ainda, uma garantia: isso é um elogio.

- sobre a tese minha e da Mari Fonte, a cara metade do Pedro aí de cima, de que o Brasil carece de uma literatura mulherzinha de verdade. Nenhuma escritora brasileira até agora teve coragem de fazer um chick-lit de responsa. No meio do caminho, todas resolvem bancar as filosóficas, daí estraga tudo. Precisamos da nossa Bridget Jones, da nossa Becky Bloom.

- com a foto que eu tirei do display da L&PM na Fnac do BarraShopping arrumado (por mim, claro) de tal forma que as traduções que eu fiz fiquem à vista. Eu não ganho direito autoral, mas acho tri divertido quando algum amigo ou conhecido diz "estou lendo um livro traduzido por ti". #prontoconfessei

- sobre a pequena porém sincera resenha que fiz sobre o Elza, a garota, do Sérgio Rodrigues, para a última edição da Revista Norte. Resumo da resenha: adorei o livro.

- sobre o junker lá de casa que pirou e derreteu um cano que provocou chuva na minha cozinha e o fato de que, por milagre, tudo estava consertado - e sem quebra-quebra - menos de 14 horas depois do incidente.

- sobre um jantar de última hora que fizemos em casa no sábado passado, reunindo bons novos amigos e a constatação na prática de que o valor de um bom jantar a dois num restaurante mais ou menos é capaz de oferecer um excelente jantar para seis pessoas e uma criança pequena.

- sobre a deliciosa festa surpresa que fizemos pelos 62 anos da minha mãe, reunindo familiares e amigos em plena quarta-feira para celebrar o fato de que ela sobreviveu com louvor ao susto que nos deu no final do ano e está cada dia mais forte e querida.

Cansada de reclamar da falta de tempo, deixo aqui essa sinopse na esperança - quase vã - de que algum dia eu consiga retomar algum desses assuntos e dar a eles a atenção que gostaria de dar.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A NET, again

- Alô.

- Boa tarde, a Sra. Cássia Zanon?

- Sim, é ela.

- Sra. Cássia, sou do atendimento ao assinante NET e estou ligando para estar oferecendo mais 15 canais à sua grade de programação que hoje conta com 111 canais.

- Ah, legal. Sem custo?

- (Silêncio constrangido) Não, tem custo.

- Ah, então não quero, obrigada.

- Mas a senhora não quer nem ouvir a proposta?

- Não precisa, eu já acho que tenho canais demais.

- A senhora não gosta de ver televisão?

- (Silêncio embasbacado) Mas tu acabaste de dizer que eu tenho 111 canais.

- A senhora não quer nem saber o preço?

- Não, obrigada.

- (Suspiro impaciente) Então está bem. Boa tarde.

- Boa tarde.

Eu sou mesmo a desgraça dos telemarketings.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Observações aleatórias sobre futebol

Sempre fui colorada, mas só passei a compreender mesmo o que isso quer dizer depois de começar a ir a campo. Mesmo - ou principalmente - àqueles jogos que não enchem um quinto do estádio e que o time empata - ou perde.

Não entendo como alguém pode não torcer para time algum. A sensação de fazer parte de algo que mobiliza milhares e milhares de pessoas é de certa forma reconfortante e dá uma certa crença na capacidade de mobilização da humanidade em torno de uma causa comum. Imagino que ajude quando se trata de uma torcida via de regra civilizada e alegre como a do Internacional.

Não toco flauta. Justamente para que não toquem flauta em mim. Gosto de comemorar as vitórias do meu time com os outros torcedores.

Em jogos como o de ontem, no Beira-Rio, fico feliz ao ver a maior parte das quase 50 mil pessoas que se prestam a passar frio para ver o time tentar uma vitória quase impossível ficar até o final de um jogo evidentemente perdido. E aplaudir a equipe, mesmo sem ter vencido. Isso, afinal, é o tal espírito esportivo.

A loira de voz esquisita que narrava o jogo estava atrás de mim ontem devia ser banida de qualquer evento social. Qualquer. Ou ir a uma fonoaudióloga. Ou fazer uma cirurgia nas cordas vocais.

Torcedores de ocasião - aqueles que só acompanham quando o time está bem ou só vão ao estádio em finais - são necessários. Mas infelizmente creio que também meio que ajudem a dar má fama a qualquer torcida, vaiando o próprio time, reclamando o tempo todo. Não sabe perder? Desista de ser torcedor.

Torcedores fanáticos - aqueles que sofrem e respiram o clube, andam fardados da cabeça aos pés e têm e-mails com o nome do time - são necessários. Mas infelizmente creio que também meio que ajudem a dar má fama a qualquer torcida, sendo agressivos, exagerados, chatos. Equilíbrio é tudo nessa vida.

Se a gente parar para pensar, o futebol funciona como uma perfeita metáfora da vida. Quem desenvolve bem a tese é o Márcio. Vou ver se o convenço a botá-la no papel - ou no blog dele.

Não tem Prozac que supere a carga de energia de um gol comemorado dentro de um Beira-Rio lotado. Não tem. O problema é que vicia.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Borboletas no estômago

Fazia horas que eu não sentia borboletas no estômago - uma expressão maravilhosa que os falantes da língua inglesa usam para descrever aquela sensação de frio na barriga que acompanha situações emocionantes. Hoje estou assim. E cantarolando sem parar essa linda música abaixo. Aqui, na versão da Nina Simone.

Um fim de semana supimpa a todos!





O-o-h child things are gonna get easier
O-o-h child things will get brighter
O-o-h child things are gonna get easier
O-o-h child things will get brighter


Someday well get it toghether and well get it undone
Someday when the world is much brighter
Someday we`ll walk in the rays of a beautiful sun
Someday when the world is much lighter


(...)

Right now right now

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dois filhotes em uma semana

Trabalhar com internet é, acima de tudo, trabalhar com o impalpável. Muitas vezes, com o imprevisível. O que explica o estado de pânico em que fiquei quando, na madrugada do lançamento do zerohora.com, em setembro de 2007, descobri que estavam fazendo uma contagem regressiva na rádio Gaúcha para o "momento da virada". Ocorre que site nenhum, pelo menos não que eu lembre de ter visto, entre imediatamente e inteiro no ar. Tem toda uma história de servidores e webcaches e não sei mais quês que eu ainda não consigo explicar direito - o que justifica o fato de que não trabalhar na TI, suponho. E esse processo leva alguns minutos - às vezes horas - pra se completar.

Com o site da Zero acabou dando tudo certo, embora os editores - que então estreavam no mundo online - achassem que aquelas páginas que não carregavam 30 segundos depois de "virada a chave" fossem um erro, e não parte do processo natural da coisa. às vezes, porém, enfrentamos alguns perrengues. E não é só no clic não. Ou o estimado leitor nunca clicou num link quebrado ou deparou com uma página de "estamos em manutenção" em outro site ou portal?

Tudo isso pra dizer que eu estava aqui, acordada, só esperando o momento de dizer que já dava pra acessar o www.diariosm.com.br, o novo site do jornal Diário de Santa Maria. Ele e o www.sualingua.com.br, site do professor Claudio Moreno que entrou no ar ontem, são os mais novos filhotes do clicRBS. Infelizmente, eu não meto mais a mão na massa com a edição, mas o infelizmente é só porque eu acho divertido, já que ambos estão em excelentes mãos.

A verdade é que acho que estou começando a me acostumar com o trabalho da equipe que integro desde que saí da redação - lá se vão quase três anos: entregar os filhotes para outros criarem.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Twitter: tá na hora de dar um tempo?

Começou devagar quase parando, em 2007. Achei a história toda muito sem graça, muito parecida com tanta coisa que tinha começado e terminado em seguida. Larguei de mão. Aliás, comigo costuma ser assim. Não me furto a abraçar novidades, mas se a coisa não engrena de saída, custo a crer que algum dia vá engrenar.

Para me contrariar, engrenou. Não lembro exatamente quando foi - acho que no final do ano passado -, mas voltei atrás. Tirei as teias de aranha que tinham se formado e desatei a brincar de novo. E não parei. Desde então, já houve várias e várias ondas de gente fazendo a mesma coisa. Neste instante, sigo 495 e sou seguida por 677 pessoas/sites/empresas no Twitter.

Sem o dito cujo, eu não teria lido nada do que segue...
@rodrigogodoy Itaú Bankline, agora com opção de enviar o comprovante por e-mail, direto do final da transação. Eu sempre "printava". Gostei. :-)

@riqfreire Reparou que ninguém invoca o deus Brahma na novela? (Se a Glória Perez puser Brahma no texto, é capaz da Globo cobrar o merchã da Ambev)

@maurodorfman Rever Era do Gelo 2 pela enésima vez agarrado em duas filhinhas cheirosas = felicidade.

@anabrambilla ACHEI temaki em Porto Alegre!!! Legal, triste e gostoso matar a baita saudade de São Paulo.

@ciscocosta Meu protesto contra a ditadura iraniana: não aprenderei a pronunciar a oclusão glotal em "Khamenei".

@eduardonuness Quando nasci, a #1 da Billboard era Physical, da Olivia Newton-John: http://www.joshhosler.biz/N... #merda

@revistasuper Esse cara ganhou um modem de 1964 e decidiu testá-lo. Será que funciona? http://migre.me/2f9s

@priscilafantin AHHHH!!!! O twitter me atrasa!!! Meu curso avançado de técnicas ancestrais de cura começa as 19:30!!!!!! ALOHA!

@melquijr A falta de tempo é um ótimo álibi para arrogância.

@joelmaterto Narcisa, bêbada, e sua filosofia de banheiro de boteco, salva meu fim de dia: http://bit.ly/Z2A63

@emilianourbim Ser mais que peão e menos que chefe é terminar o dia se sentindo um escroto e um capacho.

Quero dizer... como NÃO se viciar nisso? Ou então... POR QUE se viciar nisso?

Enfim, estou em crise existencial. Preciso de ajuda, atenção, conversa. E seria legal se ela viesse com mais de 140 caracteres.

#prontofalei

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Voltei a ser eu mesma

A auto-imagem (tem hífen? não tem? enfim...) é uma coisa incrível mesmo. Cortei os cabelos hoje. Curtos de novo. Não tanto quanto já usei, mas, ainda assim, acima dos ombros. E me dei conta de que, por alto, 70% da minha vida passei com os cabelos assim. Adoro.

Minha alma tem cabelos curtos. Assim como a minha alma não é loira. Tentei fazer luzes durante um ano, entre 1996 e 1997, mas não me reconhecia no espelho - além de achar aquela coisa toda de touca e tinta uma chatice. O estranho é que quem me conheceu naquela época jurava que eu era loira de verdade.

Hoje, achei divertio ver que muita gente se espantou com o novo corte. É que fazia mais de dois anos que as melenas só cresciam, e eu seguia com a minha alma de cabelos curtos.

Moral do post? Não adianta. Por menos mulherzinha que eu seja, não posso deixar de admitir: cabelos são tudo na vida de uma pessoa.

domingo, 17 de maio de 2009

Dos textos que não saem

Pensei em escrever sobre o David Sedaris que li há umas três semanas, sobre o Elza, A Garota, do Sérgio Rodrigues, que terminei na quarta passada, ou sobre trechos dos livros que estou lendo agora, mas nunca parece dar tempo de tratá-los com o cuidado que me parecem necessário. O mesmo aconteceu em relação aos shows do Burt Bacharach e da Dionne Warwick com a Gal Costa que vi nos últimos tempos e os filmes - perfeitamente esquecíveis - a que andei indo assistir no cinema e os seriados que têm prendido a minha atenção. Queria falar sobre algumas refeições que, na hora, considerei memoráveis, mas agora não consigo lembrar o que foi ou quando ou onde as comi. Tive vontade de expor a minha relação ambígua com os exercícios físicos e a sensação de que muita gente faz coisas só porque todo mundo está fazendo, mas, na ocasião, achei que seria mais produtivo sair para uma caminhada na beira do Guaíba - acho que foi mesmo. Cheguei a começar mentalmente um post sobre por que vou sempre chamar o Rio Guaíba de rio, não importa o que digam os especialistas, e era um começo bacana, mas ele me fugiu antes mesmo de me sentar na frente do computador. Ando matutanto sobre a leveza que quero imprimir à minha vida, mas o peso dos compromissos em excesso tem me feito deixar mais esse texto de lado.

Fora que - acho que é crise dos 35 anos - ando com uma forte sensação de estar desperdiçando o tempo dos meus poucos porém qualificados leitores com tamanhas banalidades.

Será que preciso voltar para a terapia? ;-)

Bom começo de semana a todos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Olhar brasileiro na China com trilha francesa

Ignore o discurso de "o vídeo não presta" da Jana - quem a conhece sabe que ela é assim mesmo, exagerada demais para se desfazer - e clique no play. O vídeo que ela fez e editou é uma delícia.

Saudade, dona Jana.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Boa tarde ao som de música :-)

The Sound of Music é uma das minhas quase inconfessáveis preferências cinematográficas. Talvez também por isso eu tenha gostado tanto do vídeo indicado por um amigo ontem.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=7EYAUazLI9k&hl=pt-br&fs=1]


Postado por Cássia Zanon

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Marlene Dietrich + Leni Riefenstahl


Um encontro imaginário entre a atriz e a cineasta é o tema da peça dirigida pelas queridas Márcia do Canto e Liliana Sulzbach. Eu vou. Vamos? 


Postado por Cássia Zanon

domingo, 3 de maio de 2009

Sem macroblogging, por enquanto

Ando sumida, sem tempo para muito mais do que 140 caracteres. O Twitter, no entanto, não pára.


Postado por Cássia Zanon

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pitaco de papel

O pessoal da Zero Hora me pediu ontem um texto falando sobre a influência das redes sociais nos relacionamentos humanos. Daí saiu o texto que foi publicado na página 5 do jornal de hoje, e eu reproduzo abaixo. 

Como assim, virtual?

Facebook, Twitter, Last.fm, LinkedIn, Na rede, Interatores, Orkut, del.icio.us, Flickr. Entre em alguma dessas redes sociais, e é batata: meu nome está lá. Em todas, a pessoa física Cássia Zanon virou cassiazanon – ou @cassiazanon, no caso do Twitter. Seja por necessidade profissional ou gosto pessoal, estão lá o link para meu blog, meu currículo, as músicas que tenho ouvido, comentários sobre o dia-a-dia, sugestões de artigos sobre assuntos que me interessam e, imagino, interessam a quem me interessa.

Dentro desses sites, reencontro amigos de infância, do colégio, da faculdade, colegas e ex-colegas de trabalho. Também faço novas amizades e entro em contato com profissionais reconhecidos nas minhas áreas de atuação. Para quem está enfronhado no mundo digital há uma década, isso não chega a ser uma novidade. A novidade é a adoção dos novos meios de relacionamento por parte de cada vez mais pessoas.

Antes mesmo de surgirem as ferramentas, as redes sociais se montavam em blogs, sites e listas de discussão por e-mail. Exatamente como no mundo físico, em que as pessoas há séculos se reúnem em torno de interesses comuns em confrarias, clubes e associações. A diferença é que as associações de agora não respeitam mais distâncias e abrangem muito mais gente.

Apesar de inúmeras provas em contrário, ainda há quem fale da superficialidade das relações engendradas na internet. Só que não necessariamente os perfis virtuais são diferentes das pessoas reais. Como na vida civil, aliás, há de tudo: relacionamentos profundos e encontros de conveniência, alianças profissionais importantes e agressões gratuitas, quem se expõe menos e quem se expõe demais, quem é igual no Orkut e na happy hour e quem se transforma atrás do escudo do anonimato. Já é praticamente ponto pacífico que não são as ferramentas as responsáveis pelas características das redes sociais virtuais, mas sim as mesmas pessoas que fazem da nossa sociedade o que ela é.

A teoria dos seis graus de separação não surgiu com a internet, mas estudos já sugerem que a distância entre duas pessoas seja menor graças a ela. Assim como os 15 minutos de fama hoje são medidos em bytes. Cada segmento da sociedade está ali representado, e cada um deles tem seus microfamosos. As redes sociais virtuais dão origem e espaço a mais formadores de opinião. Os círculos de influenciadores deixam de se restringir apenas à mídia tradicional. Exatamente como na vida real. Só que mais rápido, e em maior volume.

Em 25 de março, com o lançamento do site clicEsportes, nasceu também a rede social Na rede – narede.clicrbs.com.br. Entre os idealizadores dos sites, havia a dúvida: será que alguém precisa de mais uma rede social? Os mais de 3,5 mil internautas que aderiram ao ponto de encontro em 25 dias parecem atestar que sim.


Postado por Cassia Zanon

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Das coincidências e do Frango à Marengo

Pouco antes de sair a caminho do supermercado para comprar os ingredientes do Frango à Marengo que pretendo preparar amanhã ao meio-dia, resolvo revirar o arquivo do meu blog para achar um post em que lembrava ter listado todos os ingredientes. Encontrei-o aqui neste link. Havia sido publicado em 13 de abril de 2008. Um ano e uma semana atrás.

Antes de fechar o navegador, resolvo dar uma olhadinha na central de blogs do clicRBS. Qual o último post atualizado? Este aqui, do Anonymus, com a dica do dia: Frango à Marengo.

Coincidências à parte, o Zé Antônio que me perdoe, mas acho que a minha receita é mais gostosa.

Bom feriado!

;-)


Postado por Cássia Zanon

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Filmes da Páscoa

Os dias estavam lindos, maravilhosos, agradabilíssimos. Mas como não dá para passar o tempo todo na rua, aproveitei os momentos de folga para ver alguns DVDs e um filme na TV. A seguir, minhas breves e superficiais considerações, para registro.

Apenas uma vez - Mesmo com tudo o que se falou do filme, eu demorei a me mexer e ver. Só não me arrependo da demora porque foi excelente ter algo tão encantador ainda por ver num feriado de Páscoa. Lindo, lindo! Agora eu PRECISO da trilha sonora.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=CoSL_qayMCc&hl=pt-br&fs=1]

 

A Outra - Sobre as irmãs Bolena. Bem mais ou menos. Vi no Telecine Premium depois de já passada a primeira meia hora. Únicas observações: o que é de linda essa Scarlett Johansson e o que é de canastrão esse Eric Bana?

Amor e Inocência - Bonitinho. Me deu vontade de ler Jane Austen. E rever os filmes baseados na obra dela. Ainda bem que não gastei com ingresso de cinema, though.

Madagascar 2 - O roteiro é divertidíssimo. Vale prestar muita atenção nas paisagens e na coreografia à Bob Fosse do leão Alex.

Nossa vida sem Grace - Independente com o John Cusack fazendo papel de um pai viúvo. Bonito. Mas meio deprê. As menininhas são uma graça.


Postado por Cássia Zanon

Diquinha de vídeo

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=pNv2A4Kfx4k&hl=pt-br&fs=1]

Para saber mais sobre o assunto, clica aqui.


Postado por Cássia Zanon

domingo, 12 de abril de 2009

Da noção das próprias limitações

Um dos motivos pelos quais me considero pouco apta para o trabalho numa redação é o fato de quase sempre achar que aquilo que acabo de descobrir certamente já foi descoberto por outra pessoa. Daí que eu nunca faço muito barulho em relação às minhas novidades.

Mas é claro que não podemos esquecer também do peso de quem dá as dicas. Aconteceu no ano passado, por exemplo, quando escrevi no meu blog sobre o livro Marcas de Nascença em  6 de janeiro. Em seguida, as vendas do livro dispararam. Graças, evidentemente, à crônica que a Marta Medeiros escreveu alguns dias depois.

Aconteceu de novo na semana passada. Uma das minhas novidades que já tinha deixado de ser novidade foi alardeada em blog, jornal e TV como... uma novidade! E eu fiquei relativamente orgulhosa disso. Muito embora, infelizmente, a fonte das queridas Bete Duarte e Fernanda Zaffari certamente não tenha sido nem os meus posts de março de 2008, nem este outro, de março deste ano.

Fiquei superfeliz de o Marcelo estar ganhando um espaço tão bacana na "mídia de massa". Mas confesso que fiquei com um pouco de medo de agora ele ser invadido por hordas de pessoas que só vão a esses lugares charmosos de que eu gosto tanto depois de eles terem aparecido na "mídia de massa". E, também, admito, senti aquela invejinha que a gente sente quando se dá conta da pequenez do nosso alcance neste mundo. No mais, para os queridos e leais 17 que me acompanham, sigo recomendando fortemente o menu confiança da barbearia do centro da cidade.

:-)

Espero que todos tenham tido uma excelente Páscoa.


Postado por Cássia Zanon

sábado, 11 de abril de 2009

Living together, writing together

Dos muitos ingredientes responsáveis por fazer com que o Márcio e eu ficássemos juntos em 1995, não tenho dúvidas de que a música do Burt Bacharach é um dos mais importantes. Porque, com ele, pude afinal admitir meu gosto pela canções que a maioria absoluta (ou a totalidade?) dos meus amigos achava cafona. No caminho contrário, imagino que tenha causado espanto por, aos 21 anos, cantarolar grande parte das melodias sabendo quem as tinha composto. 

Na semana passada entrevistamos o homem juntos. E escrevemos a quatro mãos a matéria que saiu no Segundo Caderno da Zero Hora deste sábado.

MÚSICA 
Burt Bacharach: “A vida é ótima” 
Octogenário músico e compositor americano faz show segunda-feira no Teatro do Sesi, em Porto Alegre 
CÁSSIA ZANON E MÁRCIO PINHEIRO 
Prestes a completar 81 anos – faz aniversário em 12 de maio –, Burt Bacharach tem recebido em vida homenagens que geralmente só são dedicadas depois que determinados artistas partem para um outro plano. Modestamente, ele não se considera assim tão influente, embora jovens artistas exaltem sua obra e regravem seus sucessos. 
– Não é algo consciente, até porque eu não quero nem posso forçar essa influência.
Apenas procuro sempre fazer o melhor possível. Se assim consigo influenciar os outros, isso é ótimo. Na verdade, sou grato aos novos músicos que admiram meu trabalho – diz Bacharach, por telefone, de sua casa nos Estados Unidos, em entrevista para divulgar sua turnê brasileira, que começa nesta segunda-feira, em Porto Alegre. 
É um reconhecimento tardio e justo a quem tanto fez pela música popular americana. Se durante os quase 20 anos em que enfrentou o ostracismo e chegou a ser tachado de brega (muito antes da popularização do termo) e autor de trilha sonora de elevador, Bacharach pode agora ser homenageado pela alta qualidade de sua produção e por aquele ingrediente tão esquecido em muitas canções contemporâneas: a sofisticação. 
Com exceção da santíssima trindade da música dos EUA da primeira metade do século passado – George Gershwin, Cole Porter e Duke Ellington –, nenhum outro compositor produziu tantos sucessos com tamanha qualidade. Só na década de 1960 foi uma enxurrada de hits: What the World Needs Now Is Love, I Say A Little Prayer, Alfie, The Look of Love, A House is Not a Home, Raindrops Keep Fallin on My Head,(They Long to Be) Close to You, Do You Know the Way to San Jose?. Todos gravados pelos mais variados intérpretes: de Dionne Warwick (sua afilhada musical) a Stan Getz, de Sérgio Mendes a Wilson Simonal, de Ella Fitzgerald a Tony Bennett, de Carpenters a Elvis Costello. Quem nessa época fez mais do que ele? Talvez só a dupla Lennon & McCartney, no auge da beatlemania. 
Pela influência do jazz e pelo gosto por melodias requintadas, Bacharach esteve próximo da bossa nova. Da sua primeira visita ao Brasil, há exatos 50 anos, acompanhando – como maestro e namorado – a atriz e cantora Marlene Dietrich, guarda as melhores recordações. Mesmo distante, o músico diz não ter perdido o contato e ainda hoje se interessa pela música de Tom Jobim, Milton Nascimento, Ivan Lins e Djavan, chamando atenção para o caráter inovador dos brasileiros. 
Sobre os últimos anos, o músico concorda que eles lhe têm sido generosos: 
– A vida é ótima. Ainda mais quando se pode fazer tudo de novo, como eu estou fazendo. 
Ele não se refere apenas ao trabalho, mas ao fato de ter tido uma nova chance na vida pessoal. Bacharach tem três filhos jovens, dois ainda adolescentes. A preocupação com o mundo que deixará para esses filhos, aliás, ele deixa claro ao responder à pergunta “Do que o mundo precisa agora?”. 
– Além do amor? – rebate Bacharach, recebendo com risos e simpatia a brincadeira proposta na entrevista com o título uma de suas canções mais conhecidas (What the World Needs Now Is Love). – Pelo que tenho ouvido falar, o mundo precisa seguir o exemplo do Brasil, um país que está sabendo enfrentar a crise econômica, com qualidade de vida para sua população. 
Dez anos depois de ter vindo pela última vez no Brasil, o compositor se empolga ao falar sobre a nova turnê pelo país, que depois da escala na capital gaúcha segue para São Paulo e Rio de Janeiro. Desta vez, ele se apresentará ao piano com a banda formada por Elizabeth Chorley (violino), David Coy (baixo), David Crigger (bateria e percussão), Thomas Ehlen (trompete e flugelhorn), David Joyce (teclado), Rob Shrock (teclado), Dennis Wilson (sopros) e John Pagano, Josie James e Donna Taylor nos vocais.
No final, Bacharach encerra a conversa como se tivesse conversado muito mais do que poucos minutos. E, já íntimo, recomenda: 
– Só uma coisa antes de nos despedirmos: por favor, me chamem de Burt.
Música para ver 
Não bastava ter o nome incrustado na história da música popular das últimas cinco décadas. Burt Bacharach também fez e faz história no cinema. A tal ponto que a canção que escreveu para Butch Cassidy e Sundance Kid (1969) – Raindrops Keep Fallin’ on my Head – pode ser considerada personagem fundamental na antológica cena que mostra Paul Newman e Katharine Ross andando de bicicleta. 
O mesmo acontece na cena de O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997) em que Rupert Everett puxa um coro de I Say a Little Prayer durante um jantar.
De acordo com o site IMDb, canções de Bacharach integram nada menos do que 196 trilhas sonoras de filmes e programas de TV produzidos desde 1957. O canadense Mike Myers admitiu ter se inspirado na obra de Bacharach para criar Austin Powers, o espião que é congelado na década de 1960 e volta à ativa 30 anos depois. Não por acaso, o músico faz aparições nos três filmes do personagem. 
Mais notadamente, a inspiração de Myers teria sido provocada pela trilha sonora do bem-humorado Cassino Royale, de 1967, em que Peter Sellers interpreta James Bond, e pela qual Bacharach concorreu ao Oscar de melhor canção original de 1968. Já havia concorrido outras duas vezes: em 1966, com What’s New Pussycat, e em 1967, com Alfie. A Academia lhe deu três estatuetas. Duas em 1970, por canção original e trilha sonora de Butch Cassidy e Sundance Kid, e outra em 1982, pela canção Arthur, composta para o filme Arthur, um Milionário Sedutor.
Em 1996, compôs com Elvis Costello a canção God Give Me Strength para o filme A Voz do Meu Coração. Dois anos depois, a música integrou o álbum Painted From Memory, que deu aos dois o Grammy de melhor trabalho em duo ou grupo.
Essencial 
Tudo o que você precisa saber sobre Burt Bacharach está em The Look of Love – The Burt Bacharach Collection (Rhino Records, 75 faixas, preço médio R$ 200), refinada coletânea com o que de melhor o grande compositor americano produziu. Mais: a caixa com três CDS e um rico libreto com textos e (muitas) fotos é quase um quem-é-quem da moderna canção. Além de todas as músicas citadas nessa reportagem, o ouvinte poderá se regalar com nomes como Stevie Wonder, Dusty Springfield, Trini Lopez, Herb Alpert, The Drifters...