O dia se espatifa: Março 2004

quarta-feira, 31 de março de 2004

Ultimamente tenho lembrado muito do meu pai. Engraçado que me pego lembrando de coisas que estavam completamente esquecidas. Como as idas para o colégio em Sorocaba ao som de Raul Seixas. Ou as caronas para a faculdade ao som de Mendelski (com quem ele ia discordando em voz alta e às gargalhadas).



A saudade é até bacana. Parece que ele está do meu lado. De certa forma, está mesmo.

terça-feira, 30 de março de 2004

Ah, tenha paciência!



Deu na Zero Hora:



O apoio da torcida brasileira à seleção de ginástica artística que participará da terceira etapa da Copa do Mundo, de sexta-feira a domingo, no Centro de Convenções Riocentro, no Rio, está dividindo opiniões dentro da equipe. Enquanto a atual campeã mundial nos exercícios de solo, Daiane do Santos, pede que as pessoas se contenham na hora de sua apresentação, Daniele Hypólito diz que podem gritar o seu nome o quanto quiserem, pois tem alto poder de concentração. Para Daiane, os torcedores podem gritar, festejar, fazer barulho mas, na hora de seu exibição, ela prefere que seu nome não seja entoado.



- Vai ser maravilhoso poder competir com a torcida do nosso lado, mas não gostaria de ter o meu nome gritado durante a minha apresentação - pediu.




Eu NÃO CONSIGO torcer por essa menina que é incapaz de assumir o time e ainda diz uma coisa dessas... Acho que vou assistir à competição só pra ficar gritando durante a apresentação dela: "DANIELE, DANIELE, DANIELE"

segunda-feira, 29 de março de 2004

Inacreditável! Eu vejo essa novela entra dia e sai dia e passam-se duas semanas sem acontecer xongas (como escreve o grande Ricardo Freire). Basta que eu resolva sair para jantar com os amigos numa noite e ir ao cinema e sair para jantar com o marido e a Rou na outra pra se passarem sei lá eu quantos meses (pelas barrigas das grávidas da história, uns seis) em DOIS DIAS!!!!



Ah, e agora que está rica, a "Laura" está de cabelos longos. Na boua! Desde quando aquele visual de madalena arrependida é símbolo de riqueza e sofisticação. Sim! Porque corre pelaí que a neopobretona "Maria Clara" vai cortar os cabelos.



Enfim... eu ainda não li Guerra e Paz, mas arranjo tempo pra ver Vale Tudo 2, a missão. Acho que é a chatice da tradução em curso...

domingo, 28 de março de 2004

Quando eu era adolescente, sonhava em virar Annie Hall ou J.C. Wiatt. Agora que já sou "nervosa", como a então noiva de Woddy Allen, quando crescer quero ser Erica Barry.



Em suma, apesar das roupas que ela usa nas cerimônias de premiação de Hollywood, eu ADORO a Diane Keaton.

sexta-feira, 26 de março de 2004

Só para deixar claro: eu não pretendo falar sobre A Paixão de Cristo por aqui porque eu não pretendo ver o dito. Apesar dos olhos azuis do Mel Gibson (que, aliás, não aparecem no filme). Scorsese e Monty Python já fizeram tudo o que tinha de ser feito...
Voltando do almoço há pouco, dois amigos fizeram um comentário que eu sempre fazia até dezembro passado: "Não dá para acreditar em alguém com mais de 18 anos que tenha um blog". Fiquei na minha, cantarolando More Than This e pensando que isso faz sentido. Mas, afinal, o que é que não faz sentido?



Pra mim, mais do que servir de "meu querido diário", esse blog serve pra que eu possa fazer os comentários que eu costumo berrar no meio da redação (quem trabalhou comigo sabe do que estou falando) para todos os amigos e/ou conhecidos que não estejam por perto, mas com quem eu gosto de compartilhar as minhas opiniões inúteis/fúteis sobre toda e qualquer coisa.
Quem não tem bicho provavelmente não vai entender (e eu compreendo, porque até os 22 anos eu fui uma das que achava isso absurdo), mas o "papo" que eu tive hoje de manhã com o meu cachorro menor foi muito mais gratificante do que conversas que eu tive com muita gente por essa vida. Fora que a alegria com que esses bichinhos sempre nos recebem não se equipara a nada que eu tenha visto até hoje. Imagino que só possa ser superado pelos filhos. Mas esses adolescem...

quarta-feira, 24 de março de 2004

Na booooooooua!



(...) dirigiu-se ao local indicado, uma estreita plataforma, uma de seis, fora das altas amuradas e protegidas pelos grandes rizes dos poleames, os ovéns e as enxárcias (...)



SIM! Eu escrevi isso! E está certo! Porque eu fiquei MEIA HORA pesquisando o que eram essas p... dessas palavras! Entendem agora o que eu estou passando com essa tradução?
Tudo bem que eu tô entalada numa tradução. Mas o editor número 3, o dos romances policiais, acabou de me encher de elogios pelos meus últimos dois trabalhos. Estou me sentindo o M-Á-X-I-M-O. Sorry, periferia!
Minha mãe é uma figuraça. Hoje, fez questão de me pagar um almoço no shopping porque queria pegar uma calça que tinha deixado para reformar numa loja. Como sempre, passamos mais de uma hora dando risada de bobagens e implicando uma com a outra sobre coisas desimportantes. Na hora de vir embora, ela se estabacou em pleno estacionamento enquanto procurava o carro (que, evidentemente, não tinha noção de onde estava).



Até aí tudo bem... não aconteceu nada demais (a não ser por um raladinho no joelho esquerdo e umas dores musculares que deverão durar mais ou menos uma semana). O maluco foi que em menos de dois minutos nós duas estávamos cercadas de guardas do shopping munidos de walkie talkies e uma cadeira de rodas (!) para levá-la ao ambulátório.



Inacreditável o pânico de processo que esses estabelecimentos desenvolveram!Claro que isso não desmerece a atenção com que fomos tratadas, mas me fez pensar em como tem gente cretina que realmente entra na Justiça contra uma empresa porque bancou o boca aberta e tropeçou no nada por estar distraído... Pena que me falte a cara-de-pau necessária para fazê-lo. A mesma cara-de-pau, aliás, que eu gostaria de ter para fazer um programa caça-níqueis num desses canais a cabo que vendem espaço pra qualquer um...

terça-feira, 23 de março de 2004

Apesar de ter nascido cinco anos antes da Anistia e de a minha maior lembrança da ditadura serem os avisos de censura antes dos programas de TV e filmes no cinema e as faixas proibidas (!) em discos, eu sempre fui uma indignada com o regime militar. Está certo que cresci meio que sendo forçada a ouvir histórias sobre a época e a ler livros sobre o assunto, mas mesmo assim não entendo como pode haver tanta ignorância a respeito do que aconteceu no nosso país há menos de 30 anos! A gurizada parece achar que tudo não passa de invenção de um bando de velhos malucos...



O Zuenir escreveu sobre isso no no.minimo, e o que ele escreve descreve muito da cabeça de porongo da gurizada que tá caindo na vida (e não é só de agora, não, eu sei de ex-colegas meus que também têm essa visão da "confusão toda").

segunda-feira, 22 de março de 2004

Uma das coisas boas de não ter carro é poder aproveitar o tempo do deslocamento e ler (principalmente quando o caminho é percorrido num ônibus com ar condicionado e lugar sobrando)... Comecei hoje um dos presentes que ganhei: Primeiras Estórias, do Guimarães Rosa. Na verdade, ainda estou no Prefácio do Paulo Rónai, mas já estou adorando.



Agora volto pra casa e praquela bendita tradução interminárvel...

domingo, 21 de março de 2004

All you need is love



Neste fim de semana consegui a deliciosa proeza de juntar num único lugar e na mesma hora uma amostra de praticamente todas as fases importantes da minha vida. Foi muito, muito bom estar cercada de tanta gente a quem eu amo e admiro. Pessoas que me são especiais há 30, 26, 12 e 10 anos estavam misturadas a outras que me conquistaram há menos tempo, alguns meses até.



Passei o domingo de ressaca. Não só do cansaço de organizar a festa e da Ypioca das caipirinhas, mas também da quantidade enorme de carinho que recebi e que pude retribuir. A comemoração dos meus 30 anos acabou sendo um balanço mais do que positivo do patrimônio afetivo que eu pude juntar nessas primeiras três décadas de vida. E fez com que eu me sentisse mais do que recarregada pelo menos para a próxima década.



Love is all you need

sexta-feira, 19 de março de 2004

Eu já desconfiava...



Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim são mais saudáveis do que a mistura manteiga-bacon-ovo-queijo-farinha do très français quiche Lorraine. É o que garantem agora dois renomados nutricionistas da França (é isso mesmo). Mas, na boa, precisava de aval científico? Basta comparar os ingredientes e comer os dois. O que pesa mais no estômago?



Exactement!

quinta-feira, 18 de março de 2004

A cena que fez meu pai chorarFuçando na web, descobri que no dia 4 de março fez 10 anos do lançamento de A Lista de Schindler, o que eu tinha deixado passar batido. Admito, sou fã quase incondicional do Spielberg. Amei os óbvios E.T. e Indiana Jones e os nem tão pops assim Always, A Cor Púrpura e O Império do Sol, providencialmente deixando de lado alguns que me cheiraram a porcaria como A.I. e Jurassic Park, para evitar decepções.



Eu definitivamente adorei A Lista de Schindler. Agora, 10 anos depois, percebo que os méritos não são inteiramente do filme, mas muito mais das minhas circunstâncias. Em 1994, eu estava com 20 anos de idade, minha irmã, com 16, e nós duas conseguimos convencer o meu pai a ir ao cinema em vez de esperar os filmes saírem em vídeo. Ele sempre gostou de cinema, mas, fumante inveterado, não suportava a idéia de ter de passar mais de duas horas sem acender um cigarro.



Graças ao meu pai (e ao videocassete), aprendi a gostar não só do Spielberg, como de Coppola, Sérgio Leone, Scorcese, Sam Peckinpah, Costa Gavras, Mario Monicelli e a descobrir mais e mais cineastas, atores e atrizes, encadeando informações e filmes uns nos outros. Em 1994, nenhum de nós ainda sabia, mas meu pai só estaria conosco por mais dois anos. Talvez ele já desconfiasse. Por isso se rendeu aos apelos das filhas, e voltou a freqüentar as salas de cinema.



Naquele ano e em 1995, a família toda viu vários filmes no cinema, mas eu me lembro bem mesmo é de A Lista de Schindler. Eu me lembro de olhar para o lado e ver o meu pai chorando. Lembro de comentar isso com ele e ouvir como resposta: "Eu chorei porque não estava mais agüentando ficar sem fumar". E me lembro de ter tido um dejà vu. Dezoito anos antes, eu tinha visto meu pai chorar no final do E.T..
Alguém aí que me conhece pode me dizer por que eu tô sempre inventando trabalho novo e sarna pra me coçar?



Hein?

quarta-feira, 17 de março de 2004

"É lixo humano", costuma dizer uma pessoa a quem respeito muito sobre os participantes do Big Brother. Não chego a tanto, mas preciso concordar que o que "sobrou" na tal casa é quase isso. Esse programa produziu em mim o que costumo chamar de "efeito Ebola" *. Podem me chamar de preconceituosa, mas, vamcombiná que não sobrou ninguém que junte uma idéia a outra. A tal menina de Londrina até que parece ter alguma coisa na cabeça, mas duvido que tenha lido UM livro na vida. A outra arrivista diz que fala trocentas línguas, mas nunca explicou direito por quê. A tal frentista é ignorante e burra, porque adora berrar que "eu sou assim e não vou mudar". Os dois que entraram por sorteio são coitadinhos demais. E eu não consigo respeitar quem se faz de coitadinho.



O que mais me assusta é que eu não apenas PERDI TEMPO assistindo a essa porcaria (não com muita assiduidade, pelo menos) como ainda por cima TENHO OPINIÕES a respeito deles. O fato de que todo mundo tem opinião (mesmo quem nunca viu um "capítulo" da coisa) não me consola. Só apavora ainda mais.



E nessas todas eu ainda "não tive tempo" de ir ao cinema assistir a Adeus, Lênin...



* Um dia comecei a ver esse filme por causa do elenco (Dustin Hoffmann, Kevin Spacey, Renée Russo e Morgan Freeman), vi que era uma bomba no primeiro segmento (sim, porque era uma versão dublada E com intervalos do Supercine) e simplesmente não consegui abandonar até o final. Surgiu ali essa definição para as vezes em que perco meu precioso tempo com alguma coisa que evidentemente não presta mas que não consigo largar.

Dieta Jaguar *



Jaguar



Atkins. South Beach. São as da vez. Durante anos, o ovo, por exemplo, foi considerado terrorista calórico. Foi anistiado há pouco. Há quem só mastigue vegetais. Vacas também, e quanto mais comem, mais engordam. Tem dietas para todos os gostos, melhor dizendo, todos os desgostos. Conheço gente que só vai à mesa com uma calculadora, para somar as calorias. Que tristeza. Passam a vida ora diminuindo, ora aumentando de volume, que nem fole.



Passe numa livraria, livros de dieta. Poucos mostram fotos dos prósperos autores. No máximo, retratinho 3x4, nunca de corpo inteiro. Quem me garante que esses caras que prometem transformar obesas em sílfides não são uns Jôs Soares, que se empanturram enquanto zombam das incautas e famélicas leitoras?



Nunca fiz dieta. Minto, sempre fiz – inconscientemente – a dieta Jaguar. Há mais de 40 anos, mantenho o mesmo peso: 70 quilos. Ideal para minha altura: 1,72m. Para emagrecer, siga a dieta Bangladesh: fome até chegar ao peso desejado. Depois, para mantê-lo, a dieta Jaguar, que revelo sem fins lucrativos. Oito da manhã: uma xícara de café com pão e manteiga. 10h30: cachorro-quente com molho, mostarda, ketchup e uma lata de cerveja. 13h: um Steinhager, quatro chopes e uma coxinha de galinha no bar da esquina. 15h: em outro bar, o PF do dia. Pode ser rabada, bife rolê com fritas, arroz, feijão e macarrão (pra arrepiar os bigodes do Zé Hugo Celidônio). Quatro ou cinco chopes. Café e Underberg. 19h: sopa, Steinhager e mais uns quatro chopes. Daí pra frente, só destilados e cerveja. Não como: couvert, doces, frutas e saladas. Pouco sal. Água, só um copo ao acordar. Bom proveito.



* Contribuição do Marido, que ameaça adotá-la



Outro dia, conversando com o Cardoso sobre quem é o melhor cafajeste do cinema, meio que chegamos a um acordo em torno do Paulo Cesar Peréio (que, justiça seja feita, aprendi a admirar por causa do Marido). Nesta reportagem do no.minimo, fica claro por que ele é o ultimate cafa!
Algo me diz que eu ainda vou queimar no inferno literário por estar achando tãããão chato este livro que estou traduzindo. Nunca pensei que fosse capaz de sentir saudade de traduzir auto-ajuda...

terça-feira, 16 de março de 2004

Ah, por favor, tenha dó! E eu me presto a ler essas coisas...
Na sexta-feira, o Galera fez uma bela análise de livros de "colégio" que está relendo. E eu me dei conta de que depois de reler todos os Machados e quase todos os outros "clássicos da Ática" dos tempos de colégio, só não sobrevivi a Amor de Perdição, do Camilo Castelo Branco. Este sim, UM PORRE. No mais, Machado devia ser proibido para menores de 16 anos mentais. É como fazer uma criança de 8 anos assistir a Fellini e esperar que ela goste...



Machado é tão bom, mas tão bom, que a atualidade da prosa dele chega a ser humilhante.

segunda-feira, 15 de março de 2004

Não vi e provavelmente continuarei sem ver (assim como fiz com Coração Valente), mas o quadro com frases supostamente em Aramaico publicadas no Guardian e reproduzidas na Contracapa do Segundo Caderno da Zero Hora de hoje está ma-ra-vi-lho-so:



B-kheeruut re'yaaneyh laa kaaley tsuuraathaa khteepaathaa, ellaa Zaynaa Mqatlaanaa Trayaanaa laytaw!

(Pode ser descompromissado no uso liberal de violência gráfica, mas não é um Máquina Mortífera 2!)



Da'ek teleyfoon methta'naanaak, pquud. Guudaapaw!

(Por favor, desligue seu telefone celular. É uma blasfêmia!)



Shbuuq shuukhaaraa deel. Man ethnaggad udamshaa?

(Me desculpe, mas cheguei atrasado. Perdi algum espancamento?)



Een, Yuudaayaa naa, ellaa b-haw yawmaa laa hweeth ba-mdeetaa.

(Sim, eu sou judeu, mas eu não estava lá naquele dia.)



Ma'hed lee qalleel d-Khayey d-Breeyaan, ellaa dlaa gukhkaa.

(Meio que me lembra A Vida de Brian, mas este não é tão engraçado.)



Ktaabaa taab hwaa meneyh.

(Não é tão bom quanto o livro.)



Puuee men Preeshey, puuee!

(Bu, fariseus, buuuu!)



Etheeth l-khubeh 'almeenaayaa d-Maaran Yeshu Msheekhaa, ella faasheth metool Moneeqaa Belluushee!

(Eu vim pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas fiquei por causa da Monica Bellucci.)



Feelmaa haanaa tpeelaw! Proo' lee ksef dmaa!

(Este filme é horrível! Quero meu dinheiro de volta!)



Saggee shapeer! Laa tsaabey naa d-esakkey l-mapaqtaa trayaanaaytaa.

(Genial! Mal posso esperar para ver a segunda parte.)



Ayleyn enuun Oorqey?

(Quais destes são os orcs?)



Lebba deel daaleq, ellaa teezaa deel daamek.

(Meu coração está pegando fogo, mas meu traseiro está dormindo.)



Laa baakey naa-eeth gelaa b-'ayna deel.

(Não estou chorando, é que entrou uma coisa no meu olho.)



Peletaa kuullaah da-Qraabay Kawkbey.

(É tudo uma alegoria de Star Wars.)



Shluukh kleelaa d-kuubayk, pquud. Laa meshkakh naa d-ekhzey l-ketaan tsuur- aathaa.

(Você poderia, por favor, tirar sua coroa de espinhos? Não consigo ver a tela.)



Baseem, ellaa saabar naa d-etstebeeth yateer b-Lebeh d-Gabaaraa!

(Não é ruim, mas eu acho que preferia Coração Valente.)

sexta-feira, 12 de março de 2004

Engraçado como a gente reage aos sustos. Eu ontem passei o dia pensando no Paulo e na Lidia, dois queridos amigos que moram em Madri, e não consegui nem por decreto me lembrar dos e-mails deles ou do endereço do blog dela. Hoje, com a cabeça mais tranqüila, procurei onde deveria ter lembrado que essas informações estariam.

quinta-feira, 11 de março de 2004

O terrorismo é sempre injustificável, mas o que aconteceu hoje em Madri é mais absurdo ainda. O ataque de 11 de setembro de 2001 foi embasbacante e imperdoável, mas compreensível: a simbologia das torres gêmeas de Nova York para o mundo capitalista era inegável. Agora... qual a simbologia de trens carregados de homens, mulheres e crianças a caminho do trabalho e da escola?

quarta-feira, 10 de março de 2004

Que maravilha! Eu não sabia, mas existe um museu dedicado apenas àquele tipo de arte que é ruim demais para ser ignorada. A gente passa anos achando que é original por se dar ao trabalho de prestar atenção em coisas tidas como trash e depois vê que tem até uma organização (organizada mesmo) em torno disso. Vale a pena ir até lá para conferir!



O nome da "beleza" ali em cima é Two Trees in Love. Haha. Até o título é ruim...
O marido foi atrás do Flávio Tavares para falar sobre a morte do primo-irmão Décio Freitas. A primeira pessoa a quem entrevistei de verdade na minha carreira, é um dos meus ídolos nesta vida. Tanto que depois de falar com ele ao telefone, decidi reler o maravilhoso Memórias do Esquecimento. Um necessário e absurdamente bem escrito soco no estômago de quem, como eu, mal lembra (ou sequer lembra) do Brasil pré-Anistia – que este ano completa um quarto de século.
O texto do pequeno grande Moisés Mendes na Zero Hora diz tudo o que eu gostaria de conseguir dizer sobre o Décio.
Só pra lembrar...



There's nothing you can do that can't be done

Nothing you can sing that can't be sung

Nothing you can say but you can learn how to play the game

It's easy

There's nothing you can make that can't be made

No one you can save that can't be saved

Nothing you can do but you can learn how to be in time

It's easy

All you need is love, all you need is love

...

There's nothing you can know that isn't known

Nothing you can see that isn't shown

Nowhere you can be that isn't where you're meant to be

It's easy
Pronto. Já não vejo mais graça nenhuma no tal do Orkut. Vamos ver se a coisa me empolga. E o Daniel quer que eu faça um tal de trackback que eu não faço idéia do que seja. C'est pas facile!
C-L-A-R-O que foi c_gada minha! Estava usando o username errado (!). Já estou dentro. Quem quiser entrar no Orkut, fala comigo, que eu convido. Bisous e boa noite!

terça-feira, 9 de março de 2004

I-N-S-U-P-O-R-T-Á-V-E-L esse tal de Orkut! Fiz o meu cadastro, mas não consigo entrar de novo pra ver o que está rolando. O maldito formulário de login não aceita a minha senha...
Hoje morreu uma daquelas pessoas que eu gostaria que meu ainda pai estivesse vivo quando eu conheci para poder apresentar um ao outro. Foi no curso de Jornalismo Aplicado que aprendi a admirar o professor Décio Freitas. De fala baixa e rouca – sempre um pouco ranzinza – foi sempre uma fonte riquíssima e surpreendente. Falei com ele pela última vez sobre Júlio de Castilhos, por quem nutria uma sincera antipatia. Não consegui evitar, e acabei contagiada. É dos que vai fazer falta...
Mais uma sessão "melhores momentos" de All That Jazz.

Quero ver conseguir acordar daqui a pouco...

segunda-feira, 8 de março de 2004

You're in my heart, you're in my soul

You'll be my breath should I grow old

You are my lover, you're my best friend

You're in my soul



My love for you is immeasurable

My respect for you immense

You're ageless, timeless, lace and fineness

You're beauty and elegance

domingo, 7 de março de 2004

sábado, 6 de março de 2004

Finalmente parece que a locomotiva está de novos nos trilhos e a todo vapor. Num tempo de TGVs e infovias ultra-rápidas, não encontrei melhor analogia com o momento do que essa para descrever o resultado do terremoto que chacoalhou a minha vida e a da minha pequena família em 2003. Por um erro de cálculo, eu deixei voluntariamente um emprego de três anos (que um dia tinha sido o trabalho da minha vida, mas que nos últimos 12 meses se transformara num resumo do inferno) na hora errada. Dez dias depois, o trem descarrilou de vez. Sem mortos ou feridos, mas com alguns cabelos brancos a mais, finalmente parece que a locomotiva está de novos nos trilhos e a todo vapor.



Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto

Esse eterno levantar-se depois de cada queda

Essa busca de equilíbrio no fio da navalha

Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo

Infantil de ter pequenas coragens.


Vinicius de Moraes

sexta-feira, 5 de março de 2004

Always look on the bright side of life...

If life seems jolly rotten,

There's something you've forgotten!

And that's to laugh and smile and dance and sing,



And always look on the bright side of life...
Notícia do dia: a família volta toda a ser inscrita integralmente no INSS. 100% de carteira assinada na residência de Nova Porto Alegre.
O dia começou atravessado. Mas eu me nego a terminar a semana azeda!

quinta-feira, 4 de março de 2004

Agora saio do trabalho pra ir ao Súper.
E na outra vida eu quero nascer com este humor:

Efeito Sanfona
Ricardo Freire


Engordar, emagrecer e voltar a engordar, só para poder emagrecer mais uma vez e começar tudo de novo. Esta é a minha sina - minha e de todos os meus colegas de sanfona.

A vida de pessoas como eu é um forró sem fim. A parte do emagrecimento costuma ser trepidante como um xaxado. A parte de voltar a engordar começa cadenciada como um xote, e vai embalando aos pouquinhos, sem que a gente perceba, até virar um baião de Luiz Gonzaga dançado com a luxúria de passos emprestados da lambada.

No auge da esbórnia, todos os caixas de padaria passam a exibir Sonho de Valsa e Ouro Branco em posições de destaque. As barras de cereais recobertas com chocolate começam a dar "oi" para você na saída das farmácias. O Bob's resolve abrir mais e mais filiais no seu caminho, para que você não perca nenhuma oportunidade de calibrar o seu dia com um milk-shake de Ovomaltine.

E mais e mais prateleiras da sua geladeira parecem se dedicar a hospedar um tipo interessante de Chandelle sabor chocolate branco, que chega e desaparece com incrível rapidez. Nham.

O espelho tenta dizer coisas para você - mas você aumenta o som (Dominguinhos? Marinês? A trilha de Eu Tu Eles por Gilberto Gil?) para não ouvir. É quando finalmente as roupas entram em ação. Num motim organizadíssimo, botões se recusam a fechar, zíperes resolvem emperrar e uma série de camisas pelas quais você sempre demonstrou um afeto todo especial simplesmente decidem parar de cair bem.

Chegou a hora em que você tem que fazer alguma coisa. No meu caso, fazer alguma coisa significa ir até o supermercado e comprar uma lata de Farinha Láctea Nestlé.

Ir ao supermercado e comprar uma lata de Farinha Láctea Nestlé é uma espécie de rito de passagem indispensável para o começo de um regime. É o meu jeito de me despedir pessoalmente do maior número possível de carboidratos ao mesmo tempo.

Nessa hora eu aproveito para retomar minha investigação científica - que já dura pelo menos sete regimes - sobre qual seria a consistência mais gostosa da Farinha Láctea. Rala tipo papinha? Cremosa e homogênea? Ou dura e farelenta? Experimento dos três jeitos várias vezes, até não chegar a nenhuma conclusão definitiva, como sempre.

Ao final da experiência científica/rito de passagem eu costumo ficar semidesfalecido no chão da sala (eu nunca uso a cozinha como laboratório porque o chão é muito frio), num estado que os médicos chamariam de "coma" - mas que eu, com a autoridade de quem já passou por isso várias vezes, chamaria de estado de "não coma!".

Só assim, num estado de "não coma!" induzido, é que eu consigo começar o regime e retomar o meu ciclo vital de emagrecer para engordar. A partir de agora, os alimentos deixam de ser chamados pelos seus nomes-fantasia e voltam a ser referidos pela sua substância ativa - mais ou menos como acontece com os medicamentos genéricos. Bife vira "proteína", salada vira "fibra" e batata vira "só ano que vem".

Coca Light deixa de ser o melhor acompanhamento para brigadeiros e passa a desempenhar a função dos próprios brigadeiros. Gelatinas com aspartame repentinamente revelam possuir um sabor tão especial, que você não entende como Emannuel Bassoleil não serve um panaché delas no Roanne. Almoços e jantares são consumidos com sofreguidão para chegar logo a melhor parte: o papaia.

Prevejo uma longa temporada de sonhos eróticos - com o creme de mascarpone ao chocolate do Gero, o doce de ovos moles com canela do Antiquarius, o souflé de goiabada do Carlota e, principalmente, o Chandelle sabor chocolate branco do Pão de Açúcar - que me farão acordar suado e com o coração acelerado.

Para esses momentos, terei a geladeira repleta da única droga que pode curar minha síndrome de abstinência: melancia. Devidamente cortadinha pela empregada e armazenada em tupperwares de todos os tamanhos.

Além de não chegar perto da máquina de milk-shake de Ovomaltine do Bob's, prometo manter distância das balanças. Simplesmente me imaginar subindo numa balança já provoca em mim os mais profundos sentimentos de pesar.
"A paisagem islandesa muda. Numa hora, montes brancos de neve. E imensos lagos congelados. Outra hora depois, escarpas marrom-escuro altíssimas. Mais uma hora e o chão virá um deserto ocre. Depois, lava, só lava: rochas negras cobertas de musgo verde-escuro. Nada que lembre paisagens visitadas. Poder-se-ia estar em Júpiter ou Marte."



Quando eu crescer, quero escrever assim. Usando mesóclise impunemente pra falar da Islândia.

Não adianta vir com guaraná...

Pintei as unhas de marrom clarinho. Quando pinto de marrom, o marido pergunta se eu enfiei os dedos num ponte de Danete. Desta vez foi em Danete de doce de leite.
Esperando o ônibus hoje, passa pela parada um com destino a JESUS (!)



Juro que quase fiz sinal pra entender o que era aquilo. Mas fiquei com medo de perder muita grana com a brincadeira. Deve ter mão de pastor (sic) no meio...
Inacreditável!!! Chegando ao décimo capítulo da tradução... eis que COMEÇA a ação!
Tem receita nova do que estou comendo agora. Pouquinho, que, afinal, eu tô de dieta!

quarta-feira, 3 de março de 2004

*suspiro*



"Nas horas de folga, o gajeiro de proa se aproximara um pouco dele, e agora, com seus problemas, ocorreu-lhe que talvez aquele fosse o tipo de homem a quem poderia procurar em busca de algum aconselhamento. Era um velho dinamarquês há tempos anglicizado no serviço que falava pouco e tinha muitas rugas e algumas respeitáveis cicatrizes."



Ninguém merece...



*suspiro*
Da série agora vai (de novo): prometi pro meu inabalável "doutor de gordo", como chama o marido, que até dezembro vou perder um quilo e meio por mês pra chegar ao meu peso normal (eu disse NORMAL, não IDEAL, daí ficam faltando ainda cinco quilos. mas este peso eu só tive durante um ano da minha vida, daí não vale). Em 31 de março eu conto como foi...
Mas é bem capaz mesmo que eu vou andar por aí de gravador em punho...

;-p
Quando estava a caminho do médico esta tarde pensei numa coisa pra postar aqui, mas agora não faço a menor idéia do que seja... *Preciso* de um minigravador pra não deixar passar essas "pequenas genialidades" do dia-a-dia.
Receita de um começo de dia bacana

- sol

- caminho para o trabalho ao som de um bloco com quatro músicas do Chico

- "reencontrar" no ICQ um amigo querido que esteve de férias por perto mas que eu não consegui ver

terça-feira, 2 de março de 2004

Frase do dia

De uma colega do trabalho: "Porra, preciso parar de falar tanto palavrão. Que merda".
Comecei a ler no domingo e, mesmo com o sono atrasado por conta do Oscar, mal consigo largar desde então Fazes-me Falta, da escritora portuguesa Inês Pedrosa. Não tinha lido nada sobre ele quando me interessei pelo texto da contracapa (e, confesso, por ser da editora Planeta, pela qual nutro uma simpatia quase que gratuita e inexplicável). É um texto fluente e de certa forma angustiante, por mostrar o quanto o "não dizer" pode prejudicar qualquer relação humana. Ainda estou antes da metade para falar sobre o livro efetivamente, mas, so far, estou adorando.
Rather frustrating...

7.142857142857143% of me is a huge nerd! How about you?

segunda-feira, 1 de março de 2004

Que porcaria de cerimônia de Oscar. Que porcaria de premiação. Essa "sofisticação" forçada de Hollywood acabou com a graça da coisa, que estava nos vestidos estapafúrdios e nos looooooongos números musicais cafonérrimos.



Ou será que fui eu que fiquei velha demais pra coisa?